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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Bigodes

José Sarney passou por uma pequena operação para retirar um cisto benigno do lábio superior. Brigou, fez o que pode, para que não raspassem o bigode durante o pré-cirúrgico. Provavelmente atrapalhou um pouco os médicos, mas conseguiu atingir o objetivo. Na volta ao trabalho, comemorou a manutenção do dito cujo (o bigode, não o cisto).

Esse bigode não é só a marca pessoal do ex-presidente da República e atual chefe do Senado. Virou um símbolo do que há de problemático na política nacional. Parece década (ou século) passada, mas era 2009 quando Sarney resistiu bravamente a uma das piores crises pelas quais o Senado já passou. Ficou pendurado no cargo, mas com o apoio dos comparsas colegas, bem como do presidente Lula, sobreviveu e agora continua todo pimpão no mandato e no cargo.

No auge dessa crise, surgiu o blog Tirem o Bigode (http://www.tiremobigode.blogspot.com), um irreverente protesto na Internet. A proposta era simples – quem quisesse aderir, mandava uma foto mostrando um cultivado bigode. Todos só aparariam o adereço quando Sarney saísse. Como não saiu, o blog caiu em descrédito e sucumbiu em meados de setembro do ano passado.

É tudo muito simbólico. O bigodudo se manteve, mostrando a força do esquema, da união pelo interesse próprio, do fisiologismo e da busca pela eternização do poder. O povo protesta irreverente, mas desanima diante da ausência de resultados práticos e da parca publicidade das iniciativas. Às vésperas das eleições, as mesmas figuras (mensaleiros, anões, fazendeiros, donos de castelos) dão as caras e as cartas nos bastidores, garantindo que a renovação passe longe do Congresso Nacional. E a gente discute a vida sexual do Tiger Woods no Twitter.

Sarney disse que “fez o que pode para salvar o bigode”. Sempre fazem, senador. Sempre fazem.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Drops

Descobri várias coisas no último mês. Entre elas:

Lady GaGa é um exemplo. Não é todo mundo que transforma um problema em alcunha e motivo de orgulho. “My Popopopo Poker Face…”, “Papa paparazzi”, “Rarara… Rarararomance…”.

Nossa capital chama Brasília e não Brasílio porque é como uma mulher com TPM: ou está muito quente ou muito frio. Não tem meio termo.

Arruda foi expulso da maçonaria. A assessoria de imprensa deles não foi encontrada para comentar o assunto.

Aliás, também descobri que maçonaria ainda existe. Achei que era coisa do “Código da Vinci”.

Pessoas de bigode são exemplos de perseverância. Sarney não saiu e nem vai sair da cadeira do Senado, e ainda vai acompanhar a gravação de um documentário sobre a própria vida. Já o Zelaya passou Natal e Ano Novo na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, dizem, só deve sair se o Brasil eliminar Honduras na Copa, em julho.

Internet faz mal à reputação das pessoas. Desde que a historinha sobre o apetite sexual do José Mayer estourou no Twitter, o personagem dele não come ninguém na novela. E ainda está prestes a experimentar o outro lado com a Receita Federal. Coisa de novela mesmo.

Gente rica também faz casa ilegal no morro, e também morre por isso. O que não chega a atrapalhar o feriado de nenhuma autoridade.

Dá para ganhar bilhões de dólares contando a história da Guerra do Iraque. Basta colocar pessoas azuis, efeitos especiais de computador e mudar o final.

Marina Silva não será mais a única com cabelo a disputar a eleição em outubro. Parabéns à ministra Dilma, que soube se recuperar com dignidade e sem se abater diante do câncer ou da possibilidade de ficar com aquele penteado de garoto.

Aliás, parabéns também ao Serra, que conseguiu me assustar às 3 da manhã com um vídeo no Twitter em que ele sorri.

O presidente resolveu tirar o povo da merda. Não dava para não ter colocado?

O Suriname existe. Mas não por muito tempo, se continuar mexendo com a gente.

Aviões suecos são mais baratos que americanos e franceses. Mas eu ainda prefiro a Carla Bruni.

Aliás, também descobri que ela canta. Não que precisasse.

Pensando bem, quero ser igual ao Sarkozy quando crescer. Ou melhor, quando ficar mais velho.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: 1968

Estava prestes a completar dois meses de férias daqui. Precisei desse tempo. Este blog era o meu espaço para descarregar o excesso de pensamentos, mas tinha se transformado quase em uma obrigação. Não dava para continuar.

Era para ser só um mês longe, mas sabe como é. O trabalho, imprevisível, resolveu tomar muito mais do meu tempo. De forma que, quando eu não estava por aqui, estava dormindo. Ou fazendo algo mais tranquilo. Em síntese, mea culpa, mea maxima culpa. E peço perdão.

Só que não dava para continuar calado. A situação no Brasil é feia, muito feia, e desde o começo do ano. Para quem acompanha as notícias, até parece que não foi tudo nesse ano, mas foi. Abrimos com a volta de Renan e os escândalos de Sarney, que não caiu. Continuamos com Agaciel, que sumiu no espaço da aposentadoria remunerada (ou algo que o valha). E a reforma administrativa do Senado, onde foi parar?

A CPI da Petrobras, só para variar, não deu em nada. E não tinha porque dar mesmo não, já que a estatal é uma bela caixa-preta que ninguém quer ver aberta. A tão famosa CPI do MST também não deu em nada, porque a véspera da eleição certamente atrai mais atenções. Ou seja, o Legislativo vai fazendo bonito mais uma vez, com pouquíssima aprovação de projetos relevantes e muito marketing e mesquinharia política.

Na economia, passamos de ano, mas raspando. O governo tomou as medidas corretas (talvez até com algum exagero), mas tivemos também uma dose de sorte para que os erros passados tenham se transformado em uma espécie de preparação. Com tudo isso, nossoPIB provavelmente não vai crescer nada esse ano, ou muito pouco. E ainda precisamos torcer para que nossos excessos no gasto público e despreocupação fiscal não pesem na inflação, e consigamos entrar em alta no ano que vem.

E como se não bastasse, para completar nossa falência moral e ética, o Flamengo foi campeão brasileiro. Para garantir o título número 5 e 1/2, o rubro-negro carioca fez a pior campanha entre os campeões dos anos de pontos corridos, foi obviamente favorecido pelos inúmeros erros de arbitragem e ganhou a ajuda pouco cívica do Grêmio no último jogo. Nada disso impede, no entanto, que uma massa de flamenguistas saia pela rua eufórica, ignorando os problemas éticos diante da vitória. O Flamengo é o PMDB do futebol.

Mas para encerrar o ano de forma coerente, precisávamos de um belo escândalo de corrupção. E conseguimos. José Roberto Arruda coloca a cara na câmera escondida e embolsa uma grana. Muita grana. Diz que era tudo para comprar panetone, como se Brasília fosse movida a uma mistura de pão com bolo. Arruda fica pendurado, prestes a arrastar consigo secretários, deputados distritais e o próprio partido, o Democratas, para o ralo dos corruptos, raramente frequentado no país.

É por isso que, pelo menos para mim, 2009 virou uma espécie de “novo 1968”, o ano que nunca terminou. É claro que, literalmente, isso também ocorre (já que faltam algumas semanas para 2010), mas a sensação que o ano me deixou até agora é a pior possível. Foram 12 meses de escândalos públicos, demonstrações claras de uma falência moral que mesmo assim não revoltou o povo o suficiente para criar novos caras-pintadas. O máximo que tivemos foi uma invasão chinfrim e partidarizada da Câmara Distrital do DF, que dificilmente vai conseguir alguma coisa.

Se a perspectiva for parecida para 2010, com Copa e eleições, preciso começar a me preparar agora para outro ano perdido e sem previsão para acabar.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Sarney estava certo

Com todos os problemas, polêmicas e escândalos, o presidente do Senado José Sarney até conseguiu trazer à baila um assunto importante – o que não o habilita a continuar no cargo. Em discurso sobre a democracia (na semana passada, eu sei, mas fiquei matutando o texto esse tempo todo), questionou em certo momento quem, afinal de contas, são os representantes do povo: eles, os parlamentares, ou a mídia. Concluiu que ambos clamam pelo título, tornando-se, em última instância, inimigos. Pressionado nos dias após o discurso, recuou e disse que foi tudo exercício teórico, ciência política aplicada. Bobagem, é claro, já que ele não ia perder a chance de bater nos críticos.

Não concordo com Sarney em relação à questão da inimizade, mas acho válida a pergunta. Não são poucos os jornalistas que se vêem como arautos da opinião pública, exercendo papel fundamental de representar o povo, em oposição principalmente aos governos constituídos. Só tem um problema: essa função já é exercida por outros grupos. O ministério público, por exemplo. Imprensa não é representante do povo porque lhe falta legitimidade. Jornalistas não são eleitos democraticamente, são escolhidos em um processo de seleção privada que melhor atenda às expectativas do grupo contratante. Imprensa, em uma frase já famosa sobre esse setor, não é opinião pública, mas opinião publicada, derivada diretamente dos grupos controladores e sujeita a esses interesses. E deveria agir como tal.

Sou, de certa forma, radical nesse aspecto. Tendo a acreditar que a imprensa é para o país como quaisquer outras áreas da economia: indústria, comércio, serviços – o que arrogantemente nomeei como teoria industrial. Mídia é um setor econômico, especializado no fornecimento de informação. Poderíamos vender carros, mas vendemos informação. E criamos critério para determinar o que torna esse produto melhor. Em geral, convencionou-se dizer que a principal qualidade é ser de interesse público, mas a subjetividade do conceito dificulta sua utilização classificatória. De resto, sobram as características padronizadas – ineditismo, proximidade e, mais recentemente, velocidade. E essa classificação, assim como em qualquer outro setor econômico, é elaborada pela própria imprensa, numa espécie de esforço auto-regulatório.

O marketing defende que os jornalistas revistam-se da capa da objetividade e do interesse público ou social, mas é tudo propaganda. Em última instância, a imprensa não tem mais isenção do que um sindicato como a Fiesp ou a CUT. São profissionais de um setor, atuando da forma que acham mais correta para o bem daquele setor e das empresas que o compoem. E esse bem vem revelado nas vendas, na audiência, que podem demonstrar a qualidade da informação produzida. Tanto que, fato notório, quando a atuação fica mais “sindicalizada” do que o adequado, a preocupação com o produto final diminui, e o impacto nas vendas é óbvio.

Isto posto, fica mais fácil entender a dificuldade, por exemplo, dos jornalistas lidarem com a chamada web 2.0, marcada prioritariamente pela interatividade e produção descentralizada de informação. É como se fosse uma quebra do monopólio, da reserva de mercado. Não são somente os jornalistas que definem o que é notícia, mas qualquer um. Todos podem criar blogs, dar opiniões e adquirir credibilidade baseados nos mesmos critérios adotados pela mídia tradicional. Ou não, podem criar um novo modelo de jornalismo, mais adaptado à revolução tecnológica contínua pela qual passamos, e elaborar novos critérios. Continuam, no entanto, sem representar o povo.

O que, no final das contas, nos deixa sem representantes dignos. E a mim, com a sensação de que vou precisar voltar a esse assunto.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Era tudo mentira?

Tenho sérias dúvidas sobre como a maioria dos brasileiros chega em casa. Ou como lembram que ônibus pegar para ir ao trabalho. Ou mesmo o nome do cônjuge e dos filhos. Porque nosso povo não tem memória, e mais: tem déficit de atenção.

O presidente do Senado, José Sarney, tem mais acusações nas costas do que eu tenho de anos de vida. Coisa leve, de pedido de emprego público para namorado de neta, a coisa mais pesada, como mentiras deslavadas sobre apartamentos, auxílios-moradias e outras cositas más. Mesmo assim, depois de mais ou menos uns cinco meses de pressão pesada da imprensa e da opinião pública, ele continua no cargo. E não há motivo para se espantar com isso.

A imprensa, uma das responsáveis por fazer essa pressão e investigar, vive de onda. Esqueceu os escândalos da casa para se preocupar com a porcaria dos nomes dos presidentes das comissões especiais da Câmara que vão discutir os projetos do pré-sal. Como se isso (os nomes)  fosse importante ou decisivo para o país. Nossa mídia não quer se dar ao trabalho de continuar em um assunto impopular, enquanto o enterro do Michael Jackson sei lá quanto tempo após sua morte atrai uma mega audiência.

No Congresso, vale a regra do meu pirão primeiro. O PT vendeu a alma ao diabo, sob o comando de Lula, para não deixarem tirar o Sarney. O PMDB ridicularizou o Senado, o Conselho de Ética, o Congresso e a classe política (um pouco mais do que já era) para continuar liderando. E o resultado foi um recado para Lula de que nada está garantido, e vão querer mais para, quem sabe, embarcar na candidatura de Dilma. Ou seja, podemos esperar mais revogações do irrevogável no PT até 2010.

Fora isso, nossas manifestações populares de revolta ficam limitadas a movimentação na internet, onde convenientemente todo mundo fica sentado em casa, reclamando para uma tela. De vez em quando, saem às ruas para gritar uma meia dúzia de pessoas, geralmente envolvidas com partidos ou com interesses políticos futuros (como cabeças de agremiações estudantis). E fica por isso mesmo.

O pior é que a nossa tendência é se incluir nos acordos políticos que dão fim a essas crises. Não canso de reclamar e lembrar: principal aliado de Sarney, Renan Calheiros foi acusado de ter usado dinheiro de empreiteiras para pagar a pensão de uma filha de fora do casamento. Foi considerado culpado pelo Conselho de Ética, mas absolvido pelos colegas em plenário. Como parte do acordo, renunciou ao cargo de presidente. Mas o processo não era para tirá-lo da presidência, era para cassar o mandato! Foi quebra de decoro parlamentar! Se os senadores, corporativistas como sempre, acharam uma solução de meio-termo, nós não temos que aceitar. Porque a impressão que resta é que foi tudo mentira, perseguição da imprensa ou algo do gênero.

Os senadores sempre falam que essas crises não podem durar pelo bem da instituição. O que não pode durar, pelo bem da instituição, é mandato de gente safada. E não é com grandes acordos, esquecidos pela imprensa e pela população, que esses péssimos exemplos deixaram de mamar nas tetas do dinheiro público.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Jagodes

Lá se vão algumas semanas sem escrever por aqui. Tenho várias desculpas para isso: trabalho demais, rotina alterada, recuperação de sono perdido. Mas já chegamos ao consenso, caro leitor, de que eu não preciso ficar me explicando. Não é como se eu estivesse decepcionando alguém por vontade própria, já que nunca tentei criar expectativas.

Também não me sinto culpado porque vejo que quase nada mudou desde o último texto. Na economia, a recuperação continua devagar, com sinais contraditórios que fazem a bolsa subir e cair, como sempre. A gripe suína também é a mesma do começo. A população é que esta histérica, como se de repente tivessem descoberto o Ebola circulando por aqui. Só na política algumas coisas mudaram. Como de praxe, para pior. O que não quer dizer que não eu não tenha tido algumas surpresas.

O vocabulário do Collor, por exemplo. Não tive o desprazer de acompanhar seu governo em uma idade racional, por isso não tinha a menor idéia que ele usasse palavras como “hebdomadário”. Se o caro leitor não sabe o que é, faça como eu e procure no dicionário. “Hebdomadário” estava presente naquele discurso do olhar assassino, em que ele mandou o Pedro Simon engolir, o que em outras situações dava até divórcio.

Tasso Jereissati e Renan Calheiros também fizeram bonito no plenário. Deu gosto ver eles se chamarem de “cangaceiro” e “coronel”. Hipocrisia pura, é claro, ou pelo menos falta de espelho em casa. Espelho, não vidro, porque isso está sobrando nos telhados dos senadores. Tanto que o tão esperado acordo do “deixa-disso” está em processo de consolidação, após ameaças e chantagens da tropa de choque de Sarney. Cadê os corajosos de outrora? Cadê o Arthur Virgílio, réu confesso que disse que não cairia sozinho? Cadê o DEM? E o PT, que vai manter Sarney mas insiste em jogos de cena? Todo mundo junto agora, amigos desde criancinhas?

A cruel realidade é que sempre acaba nisso. Renan foi absolvido da cassação duas vezes no plenário, para depois renunciar à presidência. Isso significa que ele então não recebeu dinheiro de empreiteiras? Todos os jornais mentiram esse tempo todo? Quando liberarem o Sarney, ele volta a ficar com a ficha limpa, sem nunca ter se beneficiado de atos secretos e loteado cargos no Senado com o dinheiro público?

Dizem no Congresso que os acordos estão acima de qualquer coisa, até mesmo os regimentos internos. Mas isso não é só no Congresso, é no Brasil. São os acordos que dão fim às crises sem punir os corruptos e sem corrigir os erros, mas ninguém liga. A imprensa vai para o próximo escândalo, as pessoas vão para a próxima partuda de futebol. Pego mais um vocábulo de Collor, o intelectual: somos um país de jagodes, homens ordinários, joões-ninguém que desistem de gritar antes mesmo de chegarem perto da rouquidão.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: O pesadelo de César

O imperador César, como ensina todo livro de História do Ensino Fundamental, foi morto pelo filho adotivo Brutus, que o traiu convencido por senadores romanos. Foi onde surgiu a mal-fadada e recorrente expressão “Até tu, Brutus?”, que aparece sempre que alguém se considera enganado por alguém em que confiava.

A julgar pelo noticiário, Brutus se daria bem no Congresso brasileiro. Alguma coisa está errada quando todo mundo aguarda uma traição, ou várias. Quando é esperado que  um político não cumpra uma promessa, não faça aquilo pelo que deu sua palavra. Quando prevemos que o homem público para quem votamos irá mentir. E tudo soa natural, até eventualmente desejável.

É nessa situação em que se encontram as eleições do Congresso. Um assunto de micropolítica que não interessa a muita gente além dos próprios parlamentares e jornalistas, mas deveria. Com um orçamento superior a muitas capitais, o Congresso é praticamente uma cidade. Só que além das próprias leis e finanças, seus habitantes também cuidam das do resto do país. Coisa séria.

Talvez por isso a minha revolta. As eleições serão decididas por homens que falam uma coisa e fazem outra, mentem para atingir os próprios interesses (na maioria das vezes puramente fisiológicos) e elegem outros que também estão muito pouco preocupados com o que quer o país. São os nossos representantes, que trabalharam duro (mais do que o normal, diga-se de passagem) nos últimos dias para convencer seus colegas a trairem os partidos, trairem a opinião pública e votarem em nome do corporativismo.

As eleições na Câmara e no Senado não são apenas importantes por definirem o terceiro da linha sucessória nacional, o que fica ainda mais sério se considerarmos o estado de saúde do vice-presidente José Alencar. Também não são apenas porque os presidentes das duas casas decidem o que é e o que não é votado pelo nosso Legislativo. São relevantes, sim, porque mostram em um microcosmo o que conta de verdade nas nossas escolhas eleitorais. Que, a julgar pelas esperadas puladas de cerca no Congresso, andam deixando a desejar.

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