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Corruptos do bem

Não lembro quem foi o colunista que disse recentemente que o PT criou a corrupção do bem. Que uma coisa é a corrupção do mal, em que o dinheiro desviado vai para o bolso do corrupto, e outra é a corrupção bacana, legal, que serve a um bem maior, para beneficiar a população. No primeiro caso, estariam os casos da Petrobrás. No segundo, o mensalão, que permitiu ao governo aprovar questões importantes no Congresso. E que a queda em desgraça de José Dirceu dentro do partido estaria relacionada à migração do primeiro para o segundo caso.

Faz quase todo o sentido. Só se peca em dizer que foi uma criação do PT. O partido se esbaldou nisso, e com gosto. Institucionalizou o discurso e abraçou a prática. Mas não criou, porque todo mundo tem sua versão de corrupção do bem.

Pegue-se o caso do presidente da Câmara dos Deputados. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é apontado por um lobista que fez delação premiada como destinatário de R$ 5 milhões de propina. Antes, outro delator havia apontado que ele usara o mandato (por meio de aliados) para pressionar esta empresa a pagar a propina. Mas quem organiza os protestos do próximo dia 16, que vão pedir o impeachment da presidente como um caminho para o fim da corrupção, acha que Cunha está fazendo um bom trabalho ao se opôr ao Planalto. E tudo bem se o Supremo Tribunal Federal está investigando ele, porque o demônio principal é outro. Toda ajuda é bem-vinda.

Do outro lado, o Planalto confia na ajuda do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para sobreviver à crise. A maioria parece não lembrar mas, em 2007, Calheiros renunciou à presidência do Senado após vir à tona que um lobista de empreiteira (ah, empreiteiras! essas danadas!) pagava sua pensão por uma filha com uma ex-amante. Ele manteve o mandato de senador, voltou à presidência do Senado nos braços dos colegas e hoje está aí… sendo investigado pelo STF na mesma operação que investiga o partido da presidente da República e o presidente da Câmara. Mas tudo bem, porque ele pode ajudar o governo a sobreviver ao “golpe”.

Aproveitando a onda, a oposição pede novas eleições. Na coletiva em que se questionava a ética do governo e a corrupção envolvendo as eleições, quem falava era o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que teve um mandato de governador cassado por usar um programa social para se beneficiar nas eleições. Mas tudo bem, porque ele está querendo ajudar a moralizar o país.

A corrupção é generalizada e institucionalizada no país há muito, muito tempo. A operação Lava-Jato vai ajudar a combater isso porque, diferente da maioria das operações anteriores, está pegando não só os corruptos, mas os corruptores – os grandes empresários, que lucram com os desvios e eram considerados inalcançáveis. Mas nosso problema é maior do que isso. É cultural. É a relativização de tudo pelo viés ideológico. É essa mania de achar que qualquer comentário é “porque é petralha” ou “porque é coxinha”.

É aí que surge a diferença entre o aliado que “desmente” e o adversário que “alega”. Entre o aliado que “se defende” e do adversário que “tenta se defender”. Entre o “obviamente culpado” e o “inocente até ser condenado”. Entre o nosso corrupto e o corrupto dos outros – ainda que o dinheiro público e o prejuízo para todos seja o mesmo.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Um mês e uma semana

E completamos um mês e uma semana de governo Dilma. Um pouco mais, é verdade, mas nada que vá afetar minha análise. Poderia ter recorrido ao expediente dos grandes jornais e analisar o que se passou em um mês, mas achei o prazo pequeno e superficial para uma análise séria e decente da atuação de Dilma Rousseff até agora. Um mês e uma semana não, são mais do que suficiente. E isso, meu caro estudante que chegou ao terceiro ano do Ensino Médio sem saber quando usar s, ss e cedilha, foi sarcasmo.

Não dá para fazer uma análise profunda e séria mas dá para ter uma noção. O governo Palocci, até agora, está fazendo quase tudo que minha humilde opinião embasada em idiossincrasias particulares considera correto. A começar pelo esforço em colocar técnicos em áreas técnicas, o que não foi nenhuma surpresa. Dilma foi ministra no governo Lula e deve ter cortado um dobrado tentando trabalhar com um diretor de Furnas como Paulo Conde, entre outros. O governo passado não se esforçou minimamente em evitar o loteamento político de setores estratégicos, a despeito da queda na qualidade dos serviços prestados.Lula seguia a máxima do ” Tudo vale a pena quando a aliança no Congresso não é pequena”. Dilma não, mesmo que com ressalvas – no caso dela, são apadrinhados políticos, mas com alguma experiência no setor e em geral avaliados positivamente por ela. Ponto para Dilma.

Segundo ponto: ajuste fiscal é ajuste fiscal. Qualquer um sabe que não dá para economizar e gastar aqui com um chocolate, ali com um jantar, mais à frente com um reajuste do salário mínimo que vai impactar em bilhões um orçamento já apertado. Existe um motivo para o reajuste do mínimo ficar em R$ 545,00: um acordo aprovado ano passado por governo, Congresso e, surpresa, sindicalistas. Todos entendemos que o mínimo não está no nível que os trabalhadores merecem e não sei o que, mas não é quebrando o país que isso vai se resolver. Não custa lembrar que, mantidas as previsões para crescimento esse ano e seguindo-se a regra do acordo, o aumento em 2012 pode passar fácil dos 10%. Alguém lembra quando foi o último reajuste nesse valor? Falta consciência econômica e de país aos nossos sindicalistas. Ponto para Lula, que acusou o oportunismo (em uma declaração obviamente oportunista, mas nem por isso incorreta) e ponto para Dilma, que já avisou que não tem discussão no que se refere a controle de contas públicas.

Isso quer dizer que aderi ao governo Dilma, a quem chamei de “notoriamente despreparada para o cargo” antes da eleição? Não. E pelo mesmo motivo de então. A principal dificuldade para ela não será a gestão de recursos, mas de aliados. Admito que fiquei impressionado com sua atuação em relação ao PMDB da Câmara e principalmente com o famoso deputado Eduardo Cunha. As ameaças veladas (e outras nada veladas) não foram capazes de mudar até agora a cabeça da presidente. E vejo um cálculo político para isso que seria digno de Maquiavel. Acompanhe meu raciocínio.

Se eu fosse eleito presidente na situação de Dilma e quisesse acabar com a dependência do PMDB, o que faria? Em primeiro lugar, causaria um racha no aliado. Estratégia básica de guerra, provocar a divisão de forças. Dilma (ou Palocci, o homem forte por trás da articulação política do governo) tirou algum poder da mão de um grupo do partido e passou ao outro, com quem tem melhores relações e, na ponta do lápis, depende mais no Congresso. Proporcionalmente, o PMDB no Senado é maior e mais importante do que na Câmara. Já teve efeito: surgiu o grupo “Afirmação Democrática”, de parlamentares peemedebistas cansados da pecha de fisiológicos. São poucos, mas provavelmente estarão mais dispostos a mostrar serviço sem ficar exigindo emendas do que o resto. Mas Dilma e Palocci têm outros truques na manga. Um deles foi manter parte do governo Lula, e por um motivo simples: não são seus ministros. Isso permite que denúncias e dossiês que pudessem surgir nessa guerra suja por cargos (e provavelmente surgirão) sejam rapidamente resolvidos com uma demissão sumária, diminuindo o impacto político. Fraude no ENEM, mais uma? Haddad fora em dias. E assim segue.

Se meu raciocínio foi parecido com o do governo, eu não sei. Mas sei que os testes da estratégia começam a vir agora. Não é todo mundo que tem os culhões necessários para peitar o PMDB, e existe um motivo para isso. O partido  é conhecido por fazer valer sua maioria no Legislativo na hora de impor sua vontade ao Executivo. Esse teste de força é que ainda não foi imposto ao governo Dilma, e pode vir justamente na discussão sobre salário mínimo. Pior para o país, que pode ver uma economia pujante e de administração relativamente tranquila ser arrastada à mercê do jogo político de velhos grupos. Torço para que não aconteça.

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Uma trilha sonora para o PMDB

“Minha nossa, ele está postando em dois dias seguidos”! Eu sei que é isso que vocês estão pensando (mentira, sei que não é), mas não se assustem. Tive uma epifania aqui e achei melhor deixar registrada no blog. Estava ouvindo uma música e achei que, com pequenos ajustes na letra, viria bem a calhar com o momento do nosso querido e estimado PDMB, o partido mais Macunaíma do país. Odeio paródias musicais, normalmente são muito ruins e forçadas, e por isso evito ao máximo mexer na letra original quando as faço. A música em questão é Eu Quero Sempre Mais, do Acústico MTV do Ira!, que contou com a participação de Pitty. A minha sugestão de letra segue abaixo. Ouçam a música e tentem seguir a letra. Depois me xinguem. Obrigado.

Ô, minha Dilma
Eu preciso implorar, todo dia
Para arrancar, na surdina
Os meus desejos, no varejo
O meu pedaço
Eu procuro ameaçar e perseguir meu espaço
Mas a realidade que vem depois
Não é bem aquela que planejei.

Eu quero sempre mais!
Eu quero sempre mais!
Eu espero sempre mais de ti.

Por isso hoje estou tão triste,
Porque querer está tão longe de poder
E assim sua vida no Congresso vai ficar ruim
Vai ficar ruim…
Vai ficar ruim…
Vai ficar ruim…
Vai ficar ruim…
Vai ficar ruim…

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: 1968

Estava prestes a completar dois meses de férias daqui. Precisei desse tempo. Este blog era o meu espaço para descarregar o excesso de pensamentos, mas tinha se transformado quase em uma obrigação. Não dava para continuar.

Era para ser só um mês longe, mas sabe como é. O trabalho, imprevisível, resolveu tomar muito mais do meu tempo. De forma que, quando eu não estava por aqui, estava dormindo. Ou fazendo algo mais tranquilo. Em síntese, mea culpa, mea maxima culpa. E peço perdão.

Só que não dava para continuar calado. A situação no Brasil é feia, muito feia, e desde o começo do ano. Para quem acompanha as notícias, até parece que não foi tudo nesse ano, mas foi. Abrimos com a volta de Renan e os escândalos de Sarney, que não caiu. Continuamos com Agaciel, que sumiu no espaço da aposentadoria remunerada (ou algo que o valha). E a reforma administrativa do Senado, onde foi parar?

A CPI da Petrobras, só para variar, não deu em nada. E não tinha porque dar mesmo não, já que a estatal é uma bela caixa-preta que ninguém quer ver aberta. A tão famosa CPI do MST também não deu em nada, porque a véspera da eleição certamente atrai mais atenções. Ou seja, o Legislativo vai fazendo bonito mais uma vez, com pouquíssima aprovação de projetos relevantes e muito marketing e mesquinharia política.

Na economia, passamos de ano, mas raspando. O governo tomou as medidas corretas (talvez até com algum exagero), mas tivemos também uma dose de sorte para que os erros passados tenham se transformado em uma espécie de preparação. Com tudo isso, nossoPIB provavelmente não vai crescer nada esse ano, ou muito pouco. E ainda precisamos torcer para que nossos excessos no gasto público e despreocupação fiscal não pesem na inflação, e consigamos entrar em alta no ano que vem.

E como se não bastasse, para completar nossa falência moral e ética, o Flamengo foi campeão brasileiro. Para garantir o título número 5 e 1/2, o rubro-negro carioca fez a pior campanha entre os campeões dos anos de pontos corridos, foi obviamente favorecido pelos inúmeros erros de arbitragem e ganhou a ajuda pouco cívica do Grêmio no último jogo. Nada disso impede, no entanto, que uma massa de flamenguistas saia pela rua eufórica, ignorando os problemas éticos diante da vitória. O Flamengo é o PMDB do futebol.

Mas para encerrar o ano de forma coerente, precisávamos de um belo escândalo de corrupção. E conseguimos. José Roberto Arruda coloca a cara na câmera escondida e embolsa uma grana. Muita grana. Diz que era tudo para comprar panetone, como se Brasília fosse movida a uma mistura de pão com bolo. Arruda fica pendurado, prestes a arrastar consigo secretários, deputados distritais e o próprio partido, o Democratas, para o ralo dos corruptos, raramente frequentado no país.

É por isso que, pelo menos para mim, 2009 virou uma espécie de “novo 1968”, o ano que nunca terminou. É claro que, literalmente, isso também ocorre (já que faltam algumas semanas para 2010), mas a sensação que o ano me deixou até agora é a pior possível. Foram 12 meses de escândalos públicos, demonstrações claras de uma falência moral que mesmo assim não revoltou o povo o suficiente para criar novos caras-pintadas. O máximo que tivemos foi uma invasão chinfrim e partidarizada da Câmara Distrital do DF, que dificilmente vai conseguir alguma coisa.

Se a perspectiva for parecida para 2010, com Copa e eleições, preciso começar a me preparar agora para outro ano perdido e sem previsão para acabar.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Era tudo mentira?

Tenho sérias dúvidas sobre como a maioria dos brasileiros chega em casa. Ou como lembram que ônibus pegar para ir ao trabalho. Ou mesmo o nome do cônjuge e dos filhos. Porque nosso povo não tem memória, e mais: tem déficit de atenção.

O presidente do Senado, José Sarney, tem mais acusações nas costas do que eu tenho de anos de vida. Coisa leve, de pedido de emprego público para namorado de neta, a coisa mais pesada, como mentiras deslavadas sobre apartamentos, auxílios-moradias e outras cositas más. Mesmo assim, depois de mais ou menos uns cinco meses de pressão pesada da imprensa e da opinião pública, ele continua no cargo. E não há motivo para se espantar com isso.

A imprensa, uma das responsáveis por fazer essa pressão e investigar, vive de onda. Esqueceu os escândalos da casa para se preocupar com a porcaria dos nomes dos presidentes das comissões especiais da Câmara que vão discutir os projetos do pré-sal. Como se isso (os nomes)  fosse importante ou decisivo para o país. Nossa mídia não quer se dar ao trabalho de continuar em um assunto impopular, enquanto o enterro do Michael Jackson sei lá quanto tempo após sua morte atrai uma mega audiência.

No Congresso, vale a regra do meu pirão primeiro. O PT vendeu a alma ao diabo, sob o comando de Lula, para não deixarem tirar o Sarney. O PMDB ridicularizou o Senado, o Conselho de Ética, o Congresso e a classe política (um pouco mais do que já era) para continuar liderando. E o resultado foi um recado para Lula de que nada está garantido, e vão querer mais para, quem sabe, embarcar na candidatura de Dilma. Ou seja, podemos esperar mais revogações do irrevogável no PT até 2010.

Fora isso, nossas manifestações populares de revolta ficam limitadas a movimentação na internet, onde convenientemente todo mundo fica sentado em casa, reclamando para uma tela. De vez em quando, saem às ruas para gritar uma meia dúzia de pessoas, geralmente envolvidas com partidos ou com interesses políticos futuros (como cabeças de agremiações estudantis). E fica por isso mesmo.

O pior é que a nossa tendência é se incluir nos acordos políticos que dão fim a essas crises. Não canso de reclamar e lembrar: principal aliado de Sarney, Renan Calheiros foi acusado de ter usado dinheiro de empreiteiras para pagar a pensão de uma filha de fora do casamento. Foi considerado culpado pelo Conselho de Ética, mas absolvido pelos colegas em plenário. Como parte do acordo, renunciou ao cargo de presidente. Mas o processo não era para tirá-lo da presidência, era para cassar o mandato! Foi quebra de decoro parlamentar! Se os senadores, corporativistas como sempre, acharam uma solução de meio-termo, nós não temos que aceitar. Porque a impressão que resta é que foi tudo mentira, perseguição da imprensa ou algo do gênero.

Os senadores sempre falam que essas crises não podem durar pelo bem da instituição. O que não pode durar, pelo bem da instituição, é mandato de gente safada. E não é com grandes acordos, esquecidos pela imprensa e pela população, que esses péssimos exemplos deixaram de mamar nas tetas do dinheiro público.

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Marcelinho, o Opinioso, comenta: Macunaímas

Mário de Andrade foi não só um dos mais destacados intelectuais do movimento modernista brasileiro, como também excelente observador da realidade nacional. Tanto que, no final da década de 20, criou Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Preguiçoso e malandro, o personagem, a seu modo, representava as diversas facetas do nosso povo, de um multiculturalismo único.

Uma das principais frases do personagem, que decorei quando tive a oportunidade de ler o livro, era o slogan que definiu para o país. Segundo ele, “pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”. Naquela época devia ser por aí mesmo, mas hoje a coisa é bem diferente – se a saúde ainda é de deixar qualquer um doente, as saúvas estão razoavelmente controladas. O problema agora é um outro tipo de bicho que come de tudo, como as formigas: o PMDB.

Comparemos. Macunaíma era egoísta, capaz de matar os próprios irmãos para encontrar um amuleto. O PMDB, conhecido como partido da boquinha, é o mais famoso adepto do fisiologismo no país. Não tem nada que um PMDBista faça que não inclua uma liberação de emenda, ou a cessão de um cargo em algum escalão do governo. Aliás, a última vez que o partido não foi governista foi no bipartidarismo militar, em que ou se era Arena ou se era MDB.

Era para se demonstrar estranheza diante dessa sanha por benefícios. O que ganha um partido que tenha apadrinhados em cargos públicos, se não a possibilidade do peculato e da corrupção? A liberação das emendas pela qual o partido briga quer mesmo ser vantajosa à população? Ou tem objetivos puramente eleitoreiros?

A principal frase de Macunaíma era “ai, que preguiça”. Devia ser o lema do PMDB, no que se refere a tentar melhorar o país. Esperar a participação de um membro da legenda em um grupo de trabalho é pedir para se decepcionar. Já se a oportunidade for de uma diretoria de estatal…. A coisa é bem diferente.

Macunaíma era malandro, bem malandro. Assim como o PMDB, ninho de cobras de sem ideologia. Quando o único objetivo é estar do lado vencedor, fica fácil balançar para um lado e para outro como uma folha de papel ao vento, recorrendo a expedientes espúrios para atingir metas. Está aí a CPI da Petrobras que não me deixa mentir.

PMDBistas são os novos Macunaímas, mas com uma diferença: o personagem era o herói (ou anti-herói) de nossa gente, mas depois de tanto aprontar se deu mal e, como consequência de suas malandragens, morreu e virou estrela. O único caminho que o PMDB poderia ter com uma evolução de nosso país seria também morrer, mas ir para o limbo dos vilões esquecidos da história nacional.

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Terrorismo

Situação hipotética: sequestraram o presidente da República. Em pleno domingo, logo após o jogo do Timão.

Na segunda-feira, o vice-presidente assume o cargo e convoca uma coletiva. Ele se empolga criticando os juros e esquece de contar sobre o sequestro. Convoca outra coletiva para falar que a Polícia Federal já está no caso, decidindo se vão chamar a busca de Operação Mindinho ou Operação Pescaria (já que eles têm que encontrar um tipo de lula). A oposição critica, diz que isso deve ser coisa da Abin, e cogita entrar no TSE para questionar campanha fora de hora para Dilma. A bolsa de valores cai.

Na terça, a busca começa a emperrar. O PMDB quer cargos no comando da investigação, mas esbarra no orgulho do PT. A PF vaza informações sobre um possível cativeiro, e quando chegam lá, os sequestradores fugiram com o presidente. A oposição começa a juntar assinaturas para criar a CPI do Sequestro. Gilmar Mendes comenta o caso, e diz que é muito perigoso para a democracia colocar nomes em operações da Polícia Federal. Por algum motivo acham pertinente consultar FHC, que acusa Zé Dirceu de envolvimento. O ex-ministro devolve a denúncia. A bolsa de valores sobe.

Na quarta, chega o pedido de resgate dos sequestradores, com um dedo mínimo como prova (obviamente falso). Eles querem a redução do IPI para o setor de armas de fogo e narcotráfico. Com medo de perder mercado, o lobby das bebidas e cigarros pressiona, e oposição e base aliada avisam que são contra. Finalmente é criada a CPI do Sequestro. A bolsa de valores cai, e analistas do mercado criticam os sequestradores.

Quinta-feira, o governo anuncia que vai editar uma medida provisória para pagar o resgate, mas o DEM avisa que vai questionar no Supremo porque não considera o assunto nem urgente nem relevante. O baixo clero na Câmara diz que até concorda com a MP, mas quer que venha com proposta de criação de novos cargos de terceiro escalão. O PMDB condiciona o apoio à manutenção de apadrinhados na Infraero. O PT convoca uma plenária para discutir o assunto, e concluem que devem lançar mesmo Antônio Palloci para o governo de São Paulo. A bolsa de valores sobe.

Na sexta, sai o texto da MP. Bombardeado. Miriam Leitão diz que o governo mais uma vez faz bobagem, porque a redução do IPI só beneficia alguns setores e vai provocar um desequilíbrio nas contas públicas. Defende que se desonere também, por exemplo, a linha de armas brancas. A CNI fala que deviam aproveitar para reduzir novamente a taxa de juros. Na Câmara, alguém lembra do passado guerrilheiro de Fernando Gabeira e ele parte para cima. A oposição fala em quebra de decoro parlamentar, porque ele usava uma tanguinha imoral na hora da briga. A CPI do Sequestro emperra na definição de quem vai ser o relator. Gilmar Mendes sai à mídia para comentar mais uma vez o sequestro, fala que ele mostra um Estado policialesco e ninguém discorda, por algum motivo. A bolsa de valores cai.

No sábado, a bolsa não cai, porque o mercado está fechado, mas as perspectivas não são boas. O presidente em exercício José Alencar se licencia para uma viagem de última hora. Michel Temer assume o cargo e cria o Ministério do PMDB (mais um) por medida provisória, em edição extra do Diário Oficial. A Polícia Federal vaza que Lula está em algum lugar do estado de São Paulo, mas é só o que eles sabem. Saem as primeiras capas de revistas semanais: a Veja diz que tem dedo do PT na história e que a PF fez escutas ilegais, Carta Capital fala que a captura foi a mando de Daniel Dantas e Istoé solta uma capa interessantíssima sobre um robô-professora criado no Japão.

No domingo ninguém faz nada, porque tem jogo do Mengão. Mas no começo da noite o presidente da República é abandonado perto da granja da Granja do Torto. Nos bastidores, parlamentares comemoram que, por uma semana, os escândalos do Senado e da Câmara foram esquecidos. A Polícia Federal ainda procura os sequestradores, que suspeita serem especuladores da Bolsa. Mas, observando os efeitos práticos da semana, ninguém duvida que possam ser terroristas.

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