Meu primeiro stand-up

Quem acompanha o blog já sabe há algum tempo da minha vontade de fazer stand-up comedy. Desde a explosão do tema no Brasil, acompanhei e vi tudo o que pude – pela Internet. Infelizmente os grupos que se arriscaram no formato sempre mantiveram uma certa distância do eixo Brasília-Goiânia em que vivo. Por isso só tive a oportunidade de assistir pessoalmente a uma apresentação em junho desse ano, no Rio de Janeiro. Repeti a dose mais tarde em uma visita do mesmo grupo a Brasília – os excelentes integrantes do Comédia em Pé carioca. Mas nunca perdi o interesse.

Por isso fiquei muito feliz quando tomei conhecimento do projeto Zero Meia Um, o prefixo do Humor, que surgiu em Brasília há mais ou menos um mês. Sei que já existiam shows dispersos em alguns locais da cidade, mas nada planejado como isso, pelo menos até onde eu saiba. Iniciativa do Melhor do Mundo Ricardo Pipo, Edson Duavy e Daniel Duncan, o grupo abriu em grande estilo na capital federal com Murilo Couto de convidado, seguido de Rogério Morgado e agora Henrique Fedorowicz. Se não conhece nenhum dos nomes, Youtube neles e você vai entender do que estou falando.

Posta essa enrolação, entra minha epopeia. Um dos motivos para minha dificuldade em colocar meus textos em prática é meu horário de trabalho – diariamente, até 23:00. Brasília é a cidade que sempre dorme, uma espécie de avesso de Nova Iorque. Com isso, os grupos que aqui atuam começam suas apresentações por volta de 21:00, horário do meu pico de trabalho. Mas eu encuquei, e precisava saber se valia a pena continuar me dedicando aos textos. Por isso, troquei de horário, trabalhei pela manhã e às 20:00, mais nervoso que japonês no samba, estava no local do show.

Confesso que desisti umas dez vezes. Toda hora que olhava para o palco e via a quantidade de gente que chegava, eu tremia. Não sei se para alguém parece fácil, mas passo uma ideia sobre do que se tratava a situação. Imagine-se subindo em um palco de um bar com 200, 300 pessoas. Não são todas, mas muitas delas foram àquele local para rir. Elas não querem ouvir alguém falando 5 minutos sobre algo chato – elas teriam ficado em casa e assistido a novela para isso. Elas pagaram para rir, e sua obrigação é atendê-las. Quem elas são, do que elas gostam, quem são seus ídolos intocáveis, você não sabe nada disso. E você quer fazê-las rir de algo que às vezes é tão óbvio que elas vão se perguntar como nunca pararam para pensar nisso antes.

Para minha sorte, dois amigos apareceram. Não cito nomes para não constrangê-los. Movidos talvez pela desconfiança e descrença em meus culhões, marcaram presença e me convenceram a não desistir. Essa não é uma situação do tipo “vai lá, chama ela para dançar”, em que a pior possibilidade é ouvir uma negativa. Eu poderia criar um silêncio constrangedor, ser vaiado e depois retirado às pressas do palco. Podia tropeçar na escada. Podia passar mal. Podia falar enrolado e de forma incompreensível. Felizmente nada disso aconteceu: eu subi e interpretei da melhor forma permitida pelo meu nervosismo. Consegui algumas risadas, consegui algumas “caramba, é isso mesmo” de alguns (segundo relatos) e desci entre os aplausos exigidos pela liturgia da situação. Não tive nenhuma oferta de contrato milionário para viver disso ao final, é verdade, mas também não posso me considerar um fracasso. E ainda tive a sorte de assistir a uma canjinha do famoso Danilo Gentili, destaque do ramo, que apareceu de surpresa no recinto.

Em resumo, consegui realizar um sonho. Tive uma boa recepção, que me motivou a continuar nesse caminho. Não sei como vou fazer, não sei quando vou fazer, não sei nem se vou mesmo fazer, mas vou tentar. E isso já é mais do que eu fiz pelo que eu realmente queria em muitos anos.

PS: Deixo meus agradecimentos públicos a Ricardo Pipo, Edson Duavy, Daniel Duncan e Luiza Gnone pela oportunidade e a Thiagones pelas dicas preciosas.

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2 Comentários

Arquivado em Desabafo

2 Respostas para “Meu primeiro stand-up

  1. Júlia

    Iei!

    Fico muito contente de, se não deu tudo incrivelmente certo, não ter dado nada errado! E realmente fico muito feliz de a situação ter funcionado como incentivo e como uma certa injeção de ânimo.

    Espero que um dia você consiga chegar onde vc deseja!

    Dia 21 tema confraternização de final de ano do IFG, que fazer comédia stand up lá? Se quiser eu arrumo um espaço! huhuhu

    =****

  2. cara, muito foda !
    eu tbem vou fazer stand up, com as memas quantidade de gente, e o pior pow….é que vai ser dentro de uma igreja de crente ! iauhaiuhaiuha pense na minha situação ! haiuhaiuahha
    mas muito amigos vão, ai já vai ser uma ajuda !
    abraço !
    fica com meu video ae !

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