Desagravo

Pedi esse espaço ao blogueiro para um desabafo. Não sou de gritar, de reclamar, nada disso. Normalmente prefiro o reclame gestual, as expressões corporais de desagrado. Mas foi demais. Nunca tive minha imagem tão agredida, nunca fui tão criticada, nunca fiquei tanto tempo apanhando de lá para cá. Pegaram minha história, amassaram e jogaram no lixo.

Não sou nova, pelo contrário. Entre as entidades místicas atemporais (somos muitas) ainda em atuação (nem tantas), estou na lista das mais antigas. Nasci na China, mas não tardei a viajar o mundo. E como senhora experiente e viajada, exigo o respeito que me foi negado nos últimos dias pelo Brasil, esse país que tanto amo. Posso ter nascido na Ásia, mas meu coração, minha alma, meu jeito de ser são completamente tupiniquins. E por isso os últimos dias me entristeceram sobremaneira.

Entendam – sempre fui politizada. Nasci para contrariar, para contestar, para combater. Você está chateado com o status quo? Eu posso ajudá-lo a protestar. Quer descontrair das opressões diárias? Eis-me aqui, a seu dispor. Mas politizada não é partidária – alto lá! Das entidades da minha época, eu sou a que mais valoriza a democracia. Não faço distinções entre ricos e pobres, negros e brancos, vermelhos e azuis. Se há um garoto travesso e entediado ou incomodado, ali eu estou, independente de quem ele seja.

Por isso estou revoltada. Passei a última semana inteira sendo bombardeada na mídia. Virei motivo de piada em redes sociais – até criaram um perfil falso para mim no Twitter, vejam vocês! Fui tachada de “anti-democrática”, “facista”, “exemplo de canalhice”. O presidente me acusou até de estar envolvida em uma farsa! Isso sem falar nos momentos em que me atribuíram a capacidade de provocar qualquer forma de dano físico. Paspalhice, minha única capacidade é alegrar o coração dos arruaceiros e fanfarrões e ferir a alma dos amargos e excessivamente sérios.

Foram tantos mal-entendidos que me senti obrigada a vir aqui e me explicar, mesmo sem ter qualquer culpa. E serei transparente: minha ficha é limpa como uma folha branca. Não tenho nem nunca tive qualquer relação com qualquer agressão. Minha companheira Fita Crepe sim, vive enrolada nessas situações. É ela a agressiva, grudenta, carente de atenção e capaz de qualquer coisa para aparecer na mídia. Por isso peço que descolem minha imagem dela, por favor. Somos diferentes como a Pedra e o Balão D’água, coincidentemente companheiros de longa data de nós duas duas.

Estou chateada e entristecida, mas não se enganem: não serei embrulhada. Onde existir um medíocre arrogante, eu estarei. Onde houver vaidosos iludidos, eu aparecerei. Porque eu sou o símbolo eterno da bagunça, da arruaça, da contestação, da crítica, do protesto.

Eu sou a Bola de Papel.

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1 comentário

Arquivado em Crônicas do Opinioso

Uma resposta para “Desagravo

  1. Marcelão

    Parabéns…
    Realmente – é a “bola da vez”.
    Mas que p-a-p-e-l-ã-o dessa “fita crepe”, hem!

    Ah, só para registro:
    Que ninguém confunda a “bola de papel” com a “bola de gude” (essa sim, pode machucar o cacareco que entrar na frente dela – eheheheh)

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