Quatro meses

Quatro meses. É esse o período que passei longe deste espaço. Quatro meses. Coelhos povoam um lote nesse tempo. Políticos povoam uma estatal em menos tempo, mas demoram mais ou menos isso para ter o esqueminha de “arrecadação” organizado. Quatro meses. Caramba, como as coisas mudaram.

Em abril, o Brasil ainda não tinha perdido a Copa. Eu nunca tinha ouvido falar direito desse arremedo chamado Felipe Melo. Dunga era só mais uma vítima de preconceito, hoje consolidado: ele é mesmo um boçal turrão. Mano Menezes, mano de primeira hora do meu time, acabou com o futebol anão e assumiu seu lugar. Ainda há esperanças para o futebol brasileiro. Desde que o Neymar, àquela época um pimentinha, deixe de ser o punk que seu penteado parece obrigá-lo a ser.

Em abril, Brasília completava 50 anos. Ainda sangrava panetone, apesar da renúncia de Arruda no escândalo do MeiaGate. Naquela época, o Brasil ainda tinha a modesta média de um governador preso por ano. Hoje, graças ao Amapá (Amapá?), a média subiu para dois. Três, se contar com um ex-governador. Não, não é nem o Sarney nem o Maluf. Guarde os confetes.

Falando em Maluf, a Ficha Limpa ainda não tinha sido aprovada pelo Congresso em abril. Hoje, só depende do Supremo Tribunal Federal confirmar para impedir a eleição de gente fina como Joaquim Roriz, Jader Barbalho e Iris Rezende, só para começar. Não é, infelizmente, o Ficha Séria. Por isso, preparem-se para Tiririca, Romário e adjacentes no Congresso a partir do ano que vem.

Em abril, Niemeyer estava vivo. Abril de 1908. E ele ainda está vivo. E assim permanecerá, até que outro imortal corte sua cabeça.

Em abril, a campanha eleitoral ainda não era oficial. Não tinha horário eleitoral gratuito atrasando a novela, nem candidato enchendo minha caixinha de correio com santinhos. Eu nem vou votar! Aliás, naquela época, eu votaria na Dilma. Hoje, votaria na Marina. Uma variante de voto útil: ela não vai se eleger mesmo, então eu poderia alegar não ter nada a ver com a história se tudo der errado. É o voto Maluf, do “eu-não-estou-nem-aqui”.

Em abril, eu não sabia que meu sigilo bancário estava à venda em Mauá por cem reais. O que, aliás, é mais do que vão encontrar com a violação do meu sigilo. Nem que a Erenice Guerra, que tinha acabado de virar ministra-chefe da Casa Civil, era mesmo mulher e tinha até um filho. Um traquinas, diga-se de passagem.

Em abril, eu achava que o goleiro Bruno, do Flamengo, só era um animal dentro de campo. E só conhecia uma mulher que apanhou do Dado Dolabella. E achava que Restart era um botão de videogame. Era um mundo melhor.

Em abril, eu estava cansado disso aqui. Conheci o Twitter, onde passei a soltar pérolas eventuais. É mais simples e repercute mais rápido. Ainda estou lá (@opinioso), mas mesmo assim voltei a ficar desocupado tempo demais por dia para manter minha sanidade mental. Por isso estou de volta. E espero que, dessa vez, por mais de quatro meses.

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1 comentário

Arquivado em Crônicas do Opinioso

Uma resposta para “Quatro meses

  1. Beto Wilson

    Coelhos povoam um lote foi qualquer coisa de especial rsrsrs. Quero ver outro desse daqui 4 meses, e outro daqui dois anos, quando a Dilma morfar no Hugo Chávez

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