Marcelinho, o Opinioso, comenta: 1968

Estava prestes a completar dois meses de férias daqui. Precisei desse tempo. Este blog era o meu espaço para descarregar o excesso de pensamentos, mas tinha se transformado quase em uma obrigação. Não dava para continuar.

Era para ser só um mês longe, mas sabe como é. O trabalho, imprevisível, resolveu tomar muito mais do meu tempo. De forma que, quando eu não estava por aqui, estava dormindo. Ou fazendo algo mais tranquilo. Em síntese, mea culpa, mea maxima culpa. E peço perdão.

Só que não dava para continuar calado. A situação no Brasil é feia, muito feia, e desde o começo do ano. Para quem acompanha as notícias, até parece que não foi tudo nesse ano, mas foi. Abrimos com a volta de Renan e os escândalos de Sarney, que não caiu. Continuamos com Agaciel, que sumiu no espaço da aposentadoria remunerada (ou algo que o valha). E a reforma administrativa do Senado, onde foi parar?

A CPI da Petrobras, só para variar, não deu em nada. E não tinha porque dar mesmo não, já que a estatal é uma bela caixa-preta que ninguém quer ver aberta. A tão famosa CPI do MST também não deu em nada, porque a véspera da eleição certamente atrai mais atenções. Ou seja, o Legislativo vai fazendo bonito mais uma vez, com pouquíssima aprovação de projetos relevantes e muito marketing e mesquinharia política.

Na economia, passamos de ano, mas raspando. O governo tomou as medidas corretas (talvez até com algum exagero), mas tivemos também uma dose de sorte para que os erros passados tenham se transformado em uma espécie de preparação. Com tudo isso, nossoPIB provavelmente não vai crescer nada esse ano, ou muito pouco. E ainda precisamos torcer para que nossos excessos no gasto público e despreocupação fiscal não pesem na inflação, e consigamos entrar em alta no ano que vem.

E como se não bastasse, para completar nossa falência moral e ética, o Flamengo foi campeão brasileiro. Para garantir o título número 5 e 1/2, o rubro-negro carioca fez a pior campanha entre os campeões dos anos de pontos corridos, foi obviamente favorecido pelos inúmeros erros de arbitragem e ganhou a ajuda pouco cívica do Grêmio no último jogo. Nada disso impede, no entanto, que uma massa de flamenguistas saia pela rua eufórica, ignorando os problemas éticos diante da vitória. O Flamengo é o PMDB do futebol.

Mas para encerrar o ano de forma coerente, precisávamos de um belo escândalo de corrupção. E conseguimos. José Roberto Arruda coloca a cara na câmera escondida e embolsa uma grana. Muita grana. Diz que era tudo para comprar panetone, como se Brasília fosse movida a uma mistura de pão com bolo. Arruda fica pendurado, prestes a arrastar consigo secretários, deputados distritais e o próprio partido, o Democratas, para o ralo dos corruptos, raramente frequentado no país.

É por isso que, pelo menos para mim, 2009 virou uma espécie de “novo 1968”, o ano que nunca terminou. É claro que, literalmente, isso também ocorre (já que faltam algumas semanas para 2010), mas a sensação que o ano me deixou até agora é a pior possível. Foram 12 meses de escândalos públicos, demonstrações claras de uma falência moral que mesmo assim não revoltou o povo o suficiente para criar novos caras-pintadas. O máximo que tivemos foi uma invasão chinfrim e partidarizada da Câmara Distrital do DF, que dificilmente vai conseguir alguma coisa.

Se a perspectiva for parecida para 2010, com Copa e eleições, preciso começar a me preparar agora para outro ano perdido e sem previsão para acabar.

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