Marcelinho, o Opinioso, comenta: A maravilhosa cidade de Meirelles

Antes de mais nada, desejo os meus parabéns ao Rio de Janeiro. Sério. A escolha da cidade para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 foi justa. Talvez não fosse a melhor opção, talvez não tivesse o melhor planejamento, talvez não tivesse metade da estrutura que outras candidatas tinham, mas nada disso significa que não podemos, em sete anos, fazer um belo espetáculo esportivo.

Ironicamente, parte do mérito da escolha coube ao homem que mostrou ao mundo o Rio violento e caótico: Fernando Meirelles, diretor de “Cidade de Deus”. Responsável pelos vídeos da campanha, o cineasta mostrou o Rio de Janeiro mais bonito que eu já vi. Aliás, imagino que eu e muita gente. Inclusive cariocas. Praia, samba, futebol, carnaval, tudo o que atrai os turistas para a cidade maravilhosa estava nas telas. Não tinha como o Comitê Olímpico Internacional não se emocionar.

Não esperava, é claro, sinceridade na campanha. Acima de tudo, era marketing, propaganda. Nem tão enganosa, mas ninguém ali esperava a verdade. Assim como ninguém esperava Chicago e Madri mostrando estrangeiros barrados nos aeroportos, ou Tóquio mostrando turistas em seus hóteis que, no lugar de quartos, tem camas em formato de gavetas.

O que me incomoda um pouco é o ufanismo desmedido, como se a decisão tivesse transformado magicamente a capital carioca no paraíso dos vídeos da campanha. São sete anos de trabalho, muito trabalho, para transformar a cidade inteira em algo próximo daquilo. Com grandes chances dos nossos vícios políticos – corrupção, burocracia, preferência pelo jogo eleitoral ao interesse público – emperrarem as obras necessárias e tornarem os jogos um sucesso publicitário, mas um fracasso social.

Espero, sinceramente, que isso não ocorra, e os jogos possam deixar um verdadeiro legado ao Rio e seu povo. Isso sim, mereceria uma explosão eufórica na praia de Copacabana.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: A maravilhosa cidade de Meirelles

  1. Fernanda Vivas

    Querido,
    O Pan 2007 também ia deixar um legado. Mas ao Legado foi comprar cigarro e nunca apareceu… e isso foi há dois anos. Estamparam a foto do Legado nas caixinhas de leite e contas de luz, mas nada foi encontrado até agora. E olha que o Legado não se chama Belchior.

  2. Po… achei que fosse sobre o Henrique Meirelles… por causa do PMDB…

    ;D

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