Marcelinho, o Opinioso, comenta: A nossa vuvuzela

Essa última Copa das Confederações teve alguns detalhes interessantes e surpresas. A eliminação de dois times fortes para os Estados Unidos, por exemplo. Ninguém esperava que a Espanha, melhor seleção do mundo, fosse cair com tanta facilidade diante de um time sem tradição. Coisa parecida com a Itália. O bom resultado do Brasil não me surpreendeu, mas foi interessante ver como técnico-anão nasceu virado para a Lua. De qualquer forma, o sucesso do evento não estava em campo, mas nas arquibancadas, empunhada por milhares de sul-africanos e turistas. Sim, estou falando da vuvuzela.

Para quem não acompanha futebol, explico. Vuvuzela é uma corneta típica daquele país, tocada em festas e eventos como esse. Faz um barulho extremamente alto e irritante para quem não está acostumado, mesmo que esteja do outro lado do mundo assistindo o jogo pela televisão. Se você passou perto de alguém que assistia os jogos e ouviu algo parecido com uma cigarra gigante, você ouviu a vuvuzela.

Do lado de cá do oceano, também temos a nossa vuvuzela. Que atende pelo nome José Sarney, atual presidente do Senado. As semelhanças são claras: Sarney também é tradicional, já que está aí há anos pilhando o patrimônio público, nacional e maranhense. Por aqui, não existe ninguém que não conheça suas histórias, e que não tenha ouvido pelo menos uma vez algum barulho sobre esta figura, bastante controversa. E ele também é alvo de todo tipo de reclamações.

No meio da maior crise recente do Senado, a velha raposa vira obstáculo, incomoda e atrapalha. Como mantê-lo na mesa do Senado em meio a investigações que vão 14 anos no passado da casa legislativa se 5 destes foram presididos por ele? Como afirmar que ele não tinha o menor conhecimento do que fazia o diretor-geral escolhido por ele, que se tornou amigo ao ponto de tê-lo como padrinho de casamento da filha? Como despersonificar a crise, como pediu ele, quando ele esteve ao lado do comando o tempo todo?

Não existem inocentes no Senado, por culpa ativa ou omissão, e Sarney tem consciência disso. Ele sabe que, aberta a porta para as investigações, não vai restar pedra de musgo intacta, seja pela imprensa seja pelas facções de servidores em guerra por poder. Por isso o medo de renunciar, apesar de todo o desgaste que tem sofrido e que mancha uma história já polêmica. Mesmo assim, ele insiste, e se apega no que pode: a força do partido.

Não é à toa que ele deu o ultimato a Lula e ao PT, exigindo apoio como alternativa à renúncia. O primeiro problema para o presidente da República é uma possível perda de apoio do PMDB, sem o qual infelizmente não é possível governar o país. O segundo é semelhante ao que padece também Joseph Blatter, cabeça da Fifa. 2010 está aí, com as eleições e a Copa, e as vuvuzelas são uma realidade. A questão é saber se realmente vale a pena o sacrifício de mantê-las em nossas cabeças.

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2 Comentários

Arquivado em O Opinioso comenta

2 Respostas para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: A nossa vuvuzela

  1. E eu não to acreditando em tanta merda que o Lula esta se metendo e falado so pra salvar o rabo do Sarney e da base aliada.²

    E as vuvuzelas parece um enxame de abelhas.

  2. O comentario acima é meu.

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