Marcelinho, o Opinioso, comenta: 4 anos

O que dá para fazer em quatro anos?

Com um pouco de esforço, dá para juntar dinheiro e ver todos os jogos do Brasil na próxima Copa. Ou se apaixonar, namorar, noivar, casar e divorciar, nesses relacionamentos modernos. Ou ainda começar um negócio próprio, ter um pouquinho de prosperidade e acabar falindo, principalmente com essas crises que volta e meia aparecem.

Qualquer uma dessas coisas provavelmente será mais útil do que os quatro anos que qualquer jornalista gastou, no mínimo, para conseguir se formar. Para quem não sabe, essa semana o Supremo Tribunal Federal decidiu que não é mais obrigatório para o exercício do jornalismo que o profissional tenha diploma. Em suma, qualquer um pode, de agora em diante, escrever e editar textos em jornais, entre outras funções da carreira.

Sou obrigado a concordar com o STF (e, infelizmente, com Gilmar Mendes) que não há efetivamente motivo nenhum para a obrigatoriedade de um curso superior nesse caso. Quem estudou jornalismo sabe que, independente de quão boa seja uma faculdade de Comunicação, ela dificilmente dá a seus estudantes técnicas tão além do senso comum assim no que tange ao ofício. A maior parte do conhecimento exigido vem mesmo da experiência diária já no exercício da profissão ou em estágios decentes. Nuances como a preocupação com o lead e a teoria básica por trás do tema poderiam ser tranquilamente transmitidos em um curso técnico de menor duração.

Na prática, a decisão do STF prejudica os jornalistas em um sentido: acaba com a reserva de mercado, que sempre permitiu uma certa margem de discussão em questões trabalhistas. Sem a necessidade do diploma, as empresas do ramo têm mais argumentos na hora de discutir salários e benefícios com seus empregados, já que aumenta a quantidade de mão-de-obra capacitada para praticamente qualquer um. Um jornalista especialista em economia, por exemplo, deixa de competir no mercado de trabalho somente com outros jornalistas e passa a também ter a concorrência de economistas com um pouco mais de conhecimento do ramo da comunicação.

Por isso não acredito no argumento de entidades representativas das empresas que afirmaram que nada muda, e que vão continuar exigindo diplomas de seus empregados. Soa como discurso fajuto, para inglês ver, e que só deve durar até passarem as repercussões imediatas da decisão. A tendência é aumentar, com o tempo, o número de “colaboradores”. Resta saber o tamanho do impacto disso no mercado de trabalho para aqueles que passaram quatro anos em uma faculdade, e que poderiam ter dedicado esse tempo a algo mais construtivo, como um outro curso superior qualquer. Ou corte e costura, como disse o opinioso Gilmar.

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4 Comentários

Arquivado em O Opinioso comenta

4 Respostas para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: 4 anos

  1. Henrique Arantes

    Boa…

    Gilmar, o Horrível, Mendes.
    Tão sensível e delicado quanto um Rinoceronte leproso numa loja de porcelanas.

  2. Marcelo (O Pai)

    Não concordo com o “”Gilmar””. O ponto de vista à vista do ponto da educação superior leva a refletir que para ser Ministro do STF não precisa, também, ter uma formação superior (bacharel em Direito), já que tem muito advogado/bacharel/juiz e ministro que seria muito melhor na “beira de um fogão”. Nenhum cidadão pode alegar desconhecimento da lei! Certo? Assim, por que o Poder Judiciário é o unico poder corporativista? Será que uma cozinheira não poderia ser, também, Ministra. Assim, não teríamos que engolir tantos pratos indigestos e sem higiene de alguns ministros do STF.

  3. Vindo do governo de um presidente que defende a não-educação (30 anos de aposentadoria por invalidez não daria tempo de fazer um curso de Ciência Política por exemplo?) isso acaba não sendo surpresa.

    Mas a quem cairá a culpa quando um não-jornalista lançar uma notícia errada que acabe causando danos morais a alguém? Ao jornal que publicou? À pessoa que escreveu? Ele vai ter apoio do Conselho?

    Acho que o não-jornalista ficará perdido nisso. Sem contar a discriminação no meio (boicote). Os outros podem sempre sacanear dizendo: “Ah.. tudo bem, ele nem é jornalista mesmo…”

  4. Hagaroto san

    O Gil não vai poder sair às ruas se continuar assim.

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