Troféu Tristan Tzara de Composição: Sinos, tiros e Ayrton Senna

Quem acompanha esse espaço sabe que não sou preconceituoso com letras de música. Sério! Se eu as considero ridículas e sem sentido, só o faço depois de uma cuidadosa análise. E se tem análise, não é pré-conceito, é conceito formado mesmo, oras. Mas isso também não significa que eu só goste de músicas profundas e de compositores com apurado tino literário. Pelo contrário. Tem muita música que não tem o menor objetivo de fazer pensar, e nem por isso é menos bacana. Outras não fazem mesmo nenhum sentido, não têm intenção nenhuma de passar uma mensagem e estão ali só para dar ritmo à pegação. Em síntese, axés em geral. Como “Lirirrixa”, do Babado Novo.

“Lirirrixa
Timbaleia
Badala, badala, badala,
Rucutum, tan tan, tan”

Se isso fosse boxe, era nocaute no primeiro round. A música já começa nessa beleza de refrão, sem nem mesmo fazer uma pequena apresentação do que viria. Tudo bem, no show a tal Cláudia Leitte (vocalista da banda no surgimento dessa coisa) mandava um “Acho que vou te convidar, hein?”, que não diz muita coisa. Convidar para que? Uma agradável tortura? Segundo minhas pequisas, “lirirrixa” não significa absolutamente nada, assim como “timbaleia”, apesar de o Google registrar algumas vezes como um apelido carinhoso para o ex-marido da Britney Spears. De resto, quem badala é sino, “rucutum” parece ser uma onomatopéia, mas não estou certo de quê e “Tan tan tan” é a musiquinha do Ayrton Senna. Ou seja… ????

“Vem
Entre nesse passo que é bom
Pra balançar
Pra requebrar
Jogue a mão pra cima
Solta o corpo
O que que dá?
Ei!
Jogue para o lado de bundinha..
Stop it!
Dê uma reboladinha”

Não é axé se, em algum momento, o vocalista não te pedir para pular, rebolar, balançar, beijar na boca e/ou pedir água. Se por um sortilégio do destino eu caio nesse show, eu peço é penico uma hora dessas. Mas vamos analisar juntos a sugestão: o ritmo seria bom para você balançar e requebrar, levantando a mão e soltando o corpo, jogando para o lado de bundinha e dando uma reboladinha. Já tentou fazer isso tudo de uma vez? Nem tente. A menos que você seja contorcionista ou aquele Fly, que dançava com outros quatro malucos no programa da Xuxa e agora me faz sentir vergonha alheia no programa do Luciano Huck. E para que esse “stop it”, meu Deus?

“Reboladinha, reboladinha
Reboladinha, reboladinha, reboladinha”

É, tem isso. É a hora que todo mundo dá várias reboladinhas.Vou falar o que?

“Venha balançar
Essa é a sensação
Agitaê, hei! Agitaê, hei!
Ouça o tun, tun, tun
Que vem do coração
Badala, badala, badala,
Rucutum, tan, tan, tan”

Faço uma mea culpa: mais cedo eu falei dos pedidos dos vocalistas, e esqueci que ele também podem pedir para você bancar o iogurte e “se agitar”. Fora isso, axé tem a vantagem de ser curto e só ficar depois repetindo a mesma letra à exaustão. De modo que essa é a última estrofe, o que já não era sem tempo. Tem um tun tun tun do coração, que ninguém consegue ouvir no show por causa da barulheira, e volta a história do sino, a onomatopéia de nada (mas que parece com os barulhos de tiro do “Rap das Armas) e a musiquinha do Ayrton Senna. A fórmula 1, aliás, combina muito bem com a música: nos dois, o objetivo aparentemente é sair do nada e chegar a lugar nenhum, pelo simples prazer de… agitar!

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1 comentário

Arquivado em Troféu Tristan Tzara

Uma resposta para “Troféu Tristan Tzara de Composição: Sinos, tiros e Ayrton Senna

  1. É música para estimular o apetite sexual da galera.. imagina um monte de garotinhas com shortinhos minusculos dando reboladinhas…

    A letra não pode ser muito complexa nem longa, por que a galera não tem capacidade de decorar, e até alguém decorar, o verão ja acabou e a musica saiu de moda…

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