Marcelinho, o Opinioso, comenta: Zum zum zum

Tem coisas que fazem a gente manter a crença em um mundo melhor, mais igual. Não estou falando só da famosa desigualdade de renda, mas de talentos também. É claro que existem os criticados de sempre, em geral sertanejos ou bandas de rock para adolescentes, mas me refiro a uma celebridade brasileira… no Japão.

Quando eu era moleque existia o tal “Cinema em Casa”, do SBT (que, aliás, parece que voltou a existir). E nele passava todo tipo de telefilme bizarro, entre eles um chamado “Esporte Sangrento”. O nome era cretino, o roteiro ainda mais: um professor brasileiro de capoeira resolve usar a luta-dança para ajudar a corrigir bandidos adolescentes lá pelas bandas da Califórnia. O problema é que o tio de um deles também luta capoeira, e quer usar os rapazes para crimes. Para variar, o bem vence o mal, dessa vez com um Aú sem mão (acho que é assim que escreve).

É bom explicar que o meu problema não é com o roteirista, nem com o diretor e muito menos com o ator principal (o onipresente em filmes com brigões latinos Mark Dacascos). Minha treta é com um dos responsáveis pela trilha sonora. Como se sabe, a capoeira é sempre acompanhada por músicas e um berimbau. Assim, lá pelas tantas uma roda é acompanhada pela seguinte obra de arte:

“Zum zum zum
Capoeira mata um
Zum zum zum
Capoeira mata um
Onde tem marimbondo
Tem zum zum zum
Onde tem marimbondo
Tem zum zum zum”

Em síntese, barulho para gingar. Mas o que aconteceu: a Mazda, grande montadora japonesa, resolveu usar o ritmo do refrão da “música” em um de seus comerciais. O ritmo pegou, virou sinônimo dos carros da montadora e se tornou, aos poucos, a música mais tocada nos últimos três anos do Japão. Inclusive na bizarra mania nipônica do karaoke. Por um desses sortilégios do destino, o autor da “canção” é um brasileiro, que, segundo disse, teria ganhado com ela dinheiro suficiente para não precisar trabalhar nunca mais.

Enquanto isso eu tento juntar dinheiro para dar entrada em um carro que deve custar um décimo de um Mazda. Dá ou não dá vontade de aprender capoeira e matar um?

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1 comentário

Arquivado em O Opinioso comenta

Uma resposta para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Zum zum zum

  1. O cara criou essa música so pro filme? Pra mim era uma musica normal de capoeira, dessas que já são tipo dominio publico.

    E oq diabos tem a ver capoeira com um carro da Mazda? Por acaso ele é feito sob medida para lutar dentro dele?

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