Marcelinho, o Opinioso, comenta: Harakiri

Recentemente o plenário da Câmara dos Deputados passou por um momento de catarse. Os deputados simplesmente não aguentaram mais tanta pressão da opinião pública, tanta cobrança por punições de escândalos vexaminosos. Um a um, subiram à nobre tribuna do plenário Ulysses Guimarães e protestaram, contra tudo e contra todos, mas principalmente contra a imprensa. Para ser justo, teria de endossar palavra por palavra dita aquele dia. Infelizmente minha dignidade me impede de tal ato, mas me permito uma correção às críticas diárias: o Congresso não está parado.

A organização não-governamental Transparência Brasil fez um relatório minuncioso do nosso poder legislativo. O estudo inclui não só Câmara e Senado, mas diversas assembléias legislativas e câmaras de vereadores. O resultado é triste: um grande percentual das iniciativas de parlamentares tem pouco ou nenhum impacto para a população. Não são projetos de lei relacionados a melhorias na educação, ou emendas à constituição que permitam uma tributação mais justa, e sim pedidos de homenagens e sessões solenes. O que muitas vezes forma um círculo vicioso e improdutivo: homenagens levam a sessões solenes, homenageados em uma casa legislativa acabam sendo homenageados em outra… Fora os parlamentares que trocam gentilezas e homenagens recíprocas.

Outro absurdo são as datas especiais. Todos sabemos que o brasileiro é um povo festivo, mas não há motivo para exagero. Se todos os projetos de dias especiais fossem aprovados, teríamos mais de duas comemorações por dia. O que justifica onze projetos espalhados pelo país para a criação do Dia do Taxista? Dezenas de tentativas de se criar um dia em homenagem a times de futebol ou suas torcidas. Chegamos, inclusive, à aberração de termos quatro projetos que querem a criação do Dia do Samurai. Nada contra os valorosos guerreiros japoneses, mas não vejo motivo para um dia dedicado a eles no calendário… brasileiro.

O fato é que o nosso Congresso não ajuda. Mesmo. Nossos parlamentares tem a habilidade de ter uma lista imensa de benefícios, e pelo menos um escândalo para cada. Se tem uma cota de passagens aéreas, paga passeios para a família, namorada famosa e celebridades amigas. Se tem acesso a telefone celular grátis, entregam para a filha levar para Cancun e gastar um carro popular em ligações.

Pensando bem, talvez criar o Dia do Samurai fosse útil ao país. Seria a oportunidade de ensinar ao povo o valor de lutar pelo que é correto, independente do adversário. E uma inspiração para os nossos parlamentares, que poderiam aprender muito sobre o suícidio pela honra.

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1 comentário

Arquivado em Me Engana que eu Gosto, O Opinioso comenta

Uma resposta para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Harakiri

  1. Eu acho que ninguém tem mais ideias de criação de leis e etc, então eles ficam fingindo que estao lutando por alguma causa, so pra nao dizer que estao parados.

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