Marcelinho, o Opinioso, comenta: Faroeste

Depois de oito meses de enrolação, o Supremo Tribunal Federal finalmente concluiu o julgamento da demarcação da famosa reserva de Raposa Serra do Sol. Para quem não sabe, trata-se de um território gigante localizado em Roraima, com 17 mil quilômetros quadrados a serem ocupados por 19 mil índios. Os ministros da Suprema Corte decidiram pela manutenção da demarcação feita pela Funai, a despeito dos problemas encontrados ao longo do processo.

A política indigenista brasileira é toda errada. A começar pelo anacronismo. Tratamos nossos índios como se fossem os mesmos de 1500. Damos a eles terra com água, plantas e bichos, mas eles não são mais capazes de sobreviver só com isso. Não existe a figura do índio aculturado no Brasil – para isso, seria necessário que existisse o oposto, o o índio “culturado”, com seus valores originais preservados. Se existem tribos assim na Amazônia, eles devem morar na periferia de Eldorado. O que temos na verdade são dois tipos de silvícolas tupiniquins.

O primeiro é o estilo “ianque”, bem parecido com os nativos americanos que resolveram aproveitar suas reservas isentas de impostos para montar lucrativos cassinos. Por aqui, é aquela galera que desistiude vez dessa história de Jaci e Tupã, e só caça mesmo é onça-pintada e pirarucu da grana que vem dos diamantes e terras. O “ianque” brasileiro típico anda com jeans de marca, óculos escuros e a única palavra indígena de seu vocabulário é o nome do carro dele, uma “Cherokee”.

A outra versão são aqueles índios de Globo Repórter. Sempre pobres e barrigudos, as mulheres com peitos caídos (talvez por isso algumas optem pelo sutiã), se adaptaram ao hábito urbano do sexo na ausência de um aparelho de televisão. Por isso a grande quantidade de barrigudinhos andando pelas tribos. Eles até tentam plantar, colher e pescar, mas fica difícil fazer isso quando se tem Funai, Funasa e outros Fun’s fazendo o que podem parar lhes dar comida. Fora as ONGs que despejam por ali gringos curiosos e ansiosos por lhes dar casa, comida e roupa lavada em troca de aranhas exóticas ou alguns améns.

É por isso que minha proposta de política indigenista é bem diferente, e não precisei de laudo antropológico nenhum para isso: tratemos os índios como índios. Se eles querem terras para viverem como viviam há séculos, que vivam como viviam. Damos as terras, com nascentes, fauna e flora, para que eles se virem. E é isso. Não tem posto de saúde, não tem delegacia, não tem antena parabólica nem linhas de telefonia. E sem choradeira.

Para garantir a segurança do país, bases militares em volta. Que poderão eventualmente entrar em conflito corpo-a-corpo com os índios, para manter o treinamento dos soldados e o espírito guerreiro dos selvagens. Fora essas situações, os indígenas terão o direito – ou melhor, o dever – de praticar aquele canibalismo saudável com qualquer branco que penetrar os domínios da tribo. Inclusive a exótica comida estrangeira, como missionários franceses. Também devem aprender tupi-guarani, e não podem recorrer a antropólogos cara-pálida para isso.

Por fim, e não menos importante, acabou o emblemático shortinho do Flamengo, que é um sucesso em todas as tabas da Amazônia. Índio que é índio usa tanguinha, e não uniforme de time de futebol. A menos que seja apelido.

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1 comentário

Arquivado em O Opinioso comenta

Uma resposta para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Faroeste

  1. Eu concordo plenamente com isso… sempre achei uma safadeza essa história de dar regalias pra índio que só posa de nativo na frente das cameras… ou quando vao pro planalto fazer dança da chuva pintados de guerra.

    Ou ele é tratado como cidadao, com todos os direitos e deveres, ou é tratado como selvagem, só com o direito àquilo que conseguir conquistar (afinal essa é a lei da selva).

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