Marcelinho, o Opinioso, comenta: Frost/Nixon

Sou um defensor nato do cinema por diversão. Prefiro sempre aquelas comédias de risada fácil, normalmente de humor corporal, filmes de ação com muitas frases de efeito ou melodramas chorosos sem maior profundidade. Nada daquelas produções psicológicas que mais parecem sessões de psicanálise – típicas do falecido e chato Bergman, por exemplo. Muito menos o tal cinema social, que goza de grande apreço no meio cultural brasileiro. De realidade me bastam os telejornais.

Talvez por isso eu tenha ficado tão surpreso em gostar de “Frost/Nixon”. Para quem não conhece, é um filme sobre os bastidores de uma entrevista dada pelo ex-presidente americano Richard Nixon pouco tempo após renunciar ao mandato de presidente, envolvido em um escândalo. O entrevistador, David Frost, era um desses apresentadores de talk shows, um misto de Jô Soares com Amaury Jr. Daí a surpresa em sair algo de uma entrevista fadada a se transformar em um festival de generalidades.

Minha estranheza por ter gostado do filme reside também em outro elemento. “Frost/Nixon” é um daqueles filmes de atores, de interpretação pesada, sem nenhuma grande sofisticação no roteiro ou na montagem. Não tem uma trilha sonora marcante. É simplesmente um documentário ficcional que aproveita um tema histórico (o caso Watergate) para mostrar mais do que uma entrevista:  a conversa entre Frost e Nixon é um duelo. De cavalheiros, mas um duelo.

Recomendo “Frost/Nixon” para qualquer um. Para jornalistas que queiram aprender mais sobre entrevistas. Para fascinados (como eu) pelo episódio de Watergate e pela figura controversa de Nixon. Para admiradores de bons filmes com mais preocupação pelo conteúdo do que pela forma (o que exclui um monte de produções ditas artísticas mas com um pé na arte pela arte parnasiana). E, acima de tudo, para quem gosta de ouvir uma boa conversa. Ou assistir a uma boa batalha.

Em tempo: “Frost/Nixon” deve chegar aos cinemas ao final dessa primeira semana de março.

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1 comentário

Arquivado em O Opinioso comenta

Uma resposta para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Frost/Nixon

  1. Na verdade é igual Capote, você só gostou por que é um filme de jornalismo.

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