Troféu Tristan Tzara de Composição: Music Oddity

Antes de mais nada, uma informação. Em meu antigo espaço de idéias, eu analisei por algum período os concorrentes ao fictício “Troféu Tristan Tzara de Composição”, um prêmio para as produções musicais mais sem sentido já criadas pela inventividade brasileira. Uma homenagem ao criador do dadaísmo, aparentemente o método mais popular de composição entre os músicos brasileiros. Em todos os estilos. Coisas como a onipresente  “Ai ai ai”, de Vanessa da Mata, e seus 422  “Ai ai ai ai ai ai ai ai ai…”. Ícones do pseudo-cult, como “Pescador de Ilusões”, do Rappa, e a “Se eu ousar catar na superfície de qualquer manhã… As palavras de um livro sem final!”. Ou Caetano Veloso e a famosa “Eta… Eta, eta, eta. É a Lua, é o Sol, é a luz de Tieta eta eta!”. “Gênio”.

Minha vítima da vez é um sucesso dos anos 90, um hit realmente latinesco (um neologismo relativo à habilidade do Latino em fazer qualquer tipo de música estourar nas rádios). O orgulho de uma dessas bandas que volta e meia aparecem em festas de nostalgia e são lembradas por adolescentes d’antanho. Falo do “Astronauta de Mármore”, do grupo Nenhum de Nós.

 É música com historinha. Não chega a ser nenhuma epopeia grega, mas já é alguma coisa. Li na internet que a intenção da melodia foi homenagear o exótico David Bowie, ícone dos anos 70. O mesmo Bowie que se vestia como mulher, cantava maravilhas obtidas com a ingestão de cogumelos e só não foi mais glam porque provavelmente criou o termo.

Bowie criou um personagem, Major Tom, que figurou em três de suas músicas: “Space Oddity”, “Hallo Spaceboy” e “Ashes to Ashes”. Um louco de pedra, que só poderia ter entrado mesmo na Nasa nos anos 70 de sexo, drogas e rock’n’roll. Provavelmente é a esse indivíduo que se refere o título “Astronauta de Mármore”. Não faria sentido nenhum, o que seria compreensível no contexto da música.

“A lua inteira agora
É um manto negro
Oh! Oh!
O fim das vozes no meu rádio
Oh! Oh!
São quatro ciclos
No escuro deserto do céu…”

Começamos bem. E quando digo bem, é termos algum significado aparente. Aparentemente estamos falando de uma lua nova, e lembrando que existem outras fases. O que não encaixa é o fim das vozes no rádio. Seria uma transmissão intergaláctica? ETs tocando Latino em uma FM qualquer na Lua? “Festa no Apê” só na lua cheia, é?

“Quero um machado
Pra quebrar o gelo
Oh! Oh!
Quero acordar
Do sonho agora mesmo
Oh! Oh!
Quero uma chance
De tentar viver sem dor…”

Faz sentido. Chegue com um machado em uma festa e todos se interessarão pela sua pessoa. Talvez não o tipo de interesse que as farão se aproximar, pelo contrário, mas certamente o “gelo” terá se dissipado. Você é o centro das atenções da festa dos lenhadores. Ou dos assassinos seriais. De qualquer forma, parabéns. Dependendo da festa em que você entrar balançando um machado, como o Natal da polícia, eles te darão a tal chance de viver sem dor.

“Sempre estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar…”

Esse trecho seria digno de um grande “?????”, mas tento explicar. Se você está lá, você está lá. Se alguém está lá com você, e sai eventualmente para depois voltar, você sempre está lá e vê ele voltar. Eventualmente ele não será mais o mesmo, faz parte, acontece. Mas isso não torna o lugar menos dele, correto? E dane-se que não isso não tenha nenhuma relação aparente com o espaço.

“Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo…”

Deixa eu ver se entendi… O tolo, o bobo, teme a noite pelo mesmo motivo pelo qual a noite teme o fogo. E por que a noite teme o fogo? Porque o fogo é quente e a noite é fria? Porque o fogo ilumina e a noite é escura? Então o tolo teme a noite por medo de ser iluminado e aquecido. Está explicado o adjetivo tolo. E sim, eu estou racionalizando.

“Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul…”

Chora, filho. Chora que é de graça. E por isso você não precisa de um motivo lógico para tal. O que é muito conveniente quando você chora por não ver mais o mundo azul. O que nos traz a pergunta: você ficou cego ou simplesmente deixou de ver o mundo azul. Agora ele é uma bola verde, ou vermelha? Ou talvez um manto negro…

“A trajetória
Escapa o risco nu
Uh! Uh!
As nuvens queimam o céu
Nariz azul
Uh! Uh!
Desculpe estranho
Eu voltei mais puro do céu…”

O que vem a ser o risco nu? As nuvens queimam o céu? Nariz azul? Diante dessas coisas eu me pergunto a mesma coisa que me questiono diante de filmes iranianos e coisas parecidas. Será que não faz mesmo nenhum sentido ou eu sou simplesmente muito burro para entender? Porque faz sucesso! Eu não posso ser tão mais inteligente assim do que o resto do mundo. Ou talvez eu seja simplesmente um impuro enquanto não voltar do céu.

“A lua o lado escuro
É sempre igual
Al! Al!
No espaço a solidão
É tão normal
Al! Al!
Desculpe estranho
Eu voltei mais puro do céu…”

Obrigado, Capitão Óbvio! Se não fosse você, eu jamais saberia que o lado escuro da Lua, que é por definição escuro, é sempre igual. Ou que no espaço a solidão é tão normal. Se bem que talvez não seja… Só na lua nova. No resto do tempo as vozes ecoam pelas FMs marcianas. Coisa de gente glam!

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Troféu Tristan Tzara

Uma resposta para “Troféu Tristan Tzara de Composição: Music Oddity

  1. Acho que fica sem sentido por que eles usam a técnica Sandy Jr. pra fazer versão. Pega a musica e procura palavras que rimam com a original… ae fica tipo: “Sempre está la” e “sei la oq Starman”..

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s