Marcelinho, o Opinioso, comenta: Guilhotinas

Não tenho certeza da correção do professor naquela época, mas aprendi por volta da oitava série que o termo terrorismo teria se originado no período conhecido como “Terror”, da Revolução Francesa. Considerada a fase mais radical da revolução, teve o famoso Robespierre escolhendo, através do muito bem entitulado Comitê de Salvação Pública, quem deveria morrer por ser um inimigo da revolução, um reacionário ou, como diria Dado Dolabella, quem tivesse traído o movimento, véio.

O fato é que, aos poucos, a coisa deixou de funcionar, e até quem nada tinha a ver com a história acabou indo para guilhotina. As pessoas passaram a varar a noite, temerosas de serem acusadas e arrastadas de suas camas para a morte. De onde presumo que a associação dos atos terroristas ao nome advenham dessas suas coincidências: o terror psicológico provocado nas vítimas pela iminência de uma possível morte e o alcance chegando a civis que, a rigor, não estavam envolvidos com a causa.

Se levarmos esses dois elementos em consideração, a invasão da Faixa de Gaza por Israel é tão terrorista quanto qualquer ataque do Hamas. Em um espaço diminuto como aquele, vivem um milhão e meio de palestinos. Não creio que sejam todos terroristas (nem potenciais, como já vi em declarações), de modo que a reação desproporcional israelense não se justifica de forma alguma, pois atinge civis. Chega a ser hipocrisia ver judeus assassinando pessoas que lutam simplesmente para ter os mesmos direitos que os judeus também morreram para obter. A outra característica fica por conta do poderio militar israelense, que certamente poderia atingir qualquer casa naquela faixa de terra.

Os agora israelenses demoraram muito para ver seu direito à terra reconhecido. Foram vítimas de vários massacres e diásporas, mas finalmente conseguiram que o mundo reconhecesse o seu Estado. Do outro lado, os palestinos brigam pelo mesmo reconhecimento, mas talvez por não ter padrinhos tão poderosos, não tenham tido muito sucesso. Não sou especialista, mas tenho certeza de que parte da opção pelos radicais métodos terroristas seja exatamente essa impotência da luta, de não ter as ferramentes e o apoio necessários para fazer valer seus direitos. É óbvio, isso não justifica os constantes homens-bomba do Hamas, mas ajuda a entender porque os israelenses que vivem na fronteira com Gaza sofram tanto quanto seus vizinhos.

É curioso notar que os mesmos que condenaram a reação igualmente desproporcional da Rússia à invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia se calam agora. Mas isso são picuinhas, que não importam agora. Já passa de uma semana o conflito, com uma quantidade de mortes considerável, e até o momento nada indica que um cessar-fogo esteja próximo. A indecisão de órgãos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU (e, nesse caso, certamente parte da culpa é americana) não colabora, mas os esforços não devem parar.  O fundamental é entender e lutar para que naquela região, em conflito há tanto tempo,chegue a hora em que palestinos e israelenses possam dormir em paz, sem o terror de saber que a qualquer momento podem ser mortos por mísseis ou morteiros, nossas guilhotinas modernas.

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2 Comentários

Arquivado em O Opinioso comenta

2 Respostas para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Guilhotinas

  1. É o terrorismo de Estado. Americanos também têm essa mania.

  2. O mais engraçado é que Israelenses X Palestinos nem sempre existiu… Teve uma época, bem remota na história, que os Palestinos deram abrigo e esconderijo para o Povo Escolhido! (Se eu naum estou mto enganda e com a memória mto ruim das minhas aulas de geopolítica! XD)

    O problema, é que embos são o Povo Escolhido! Agora, escolhido para o que, que é o mistério!

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