Marcelinho, o Opinioso, comenta: Lula Noel

Demorou, mas saiu. Depois de muita enrolação semântica, o nosso presidente finalmente admitiu que um conjunto de medidas pode sim ser traduzido como um pacote. No caso, de bondades, mas ainda assim pacote. Para os perdidos, explico. Como parte do combate à crise, o governo anunciou ontem algumas medidas de redução da carga tributária, ou seja, vai ficar mais dinheiro na mão do trabalhador: são duas novas alíquotas do Imposto de Renda para pessoa física (de 7,5% e de 22,5%), isenção ou redução do IPI para carros populares, retorno do IOF em empréstimo para pessoas físicas à taxa de 2007 e uma medida que beneficia empresas com dificuldade de fechar o caixa no exterior. Verdadeiro presente de Natal.

Sem partidarismo, foi uma jogada de gênio. O governo ajudou a estimular o consumo (eu, por exemplo, já considero comprar meu carro até março, quando dura a redução do IPI) com medidas populares, ao contrário do que se podia esperar em uma crise tão séria. Com mais gente comprando, a confiança dos empresários tende a se manter, os investimentos também, e assim a queda do crescimento com a turbulência tende a diminuir. Só não sei ainda como o governo vai equacionar a questão do crédito, que a despeito de tudo que tem sido feito, continua raro e caro. Ou seja, o pacote poderia estimular um consumo num momento em que mesmo que o empresário quisesse investir para crescer não teria de onde pegar.

Outro problema que vejo agora é onde esse presentão de Lula Noel vai cobrar seu preço. Por isso, se tem alguém que ocupa uma cadeira da qual eu fugiria no momento é o senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator-geral do orçamento da União. Tudo que ele tem feito nos últimos dias é discutir de onde cortar 10 bilhões de reais que vão sumir da arrecadação no ano que vem. Agora o pacote terá um impacto parecido, com uma renúncia fiscal de 8,4 bilhões. De onde sairá isso é a pergunta de 1 milhão de dólares da semana. Mesmo porque o que se tem garantido é que estão a salvo da faca obras do PAC e programas sociais. Particularmente, acho que agora fica difícil.

Nem tudo são problemas no entanto. O governo segue o caminho certo, afinal de contas, redução da carga tributária em geral é boa, e temos muito espaço para deixar crescer um déficit ainda. Falta agora fazer os ajustes mais que necessários nas despesas de custeio, parar com os reajustes de salários e criações de cargo irresponsáveis (ouviu, Congresso?) e esperar por janeiro o ano que vem, quando, com sorte, o Banco Central veja um contexto mais claro e possa finalmente reduzir a taxa de juros.

PS: Sei que economia é um assunto chato, mas importante. Por isso tratei do assunto, mas juro que volto com coisas mais divertidas depois.

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3 Comentários

Arquivado em O Opinioso comenta

3 Respostas para “Marcelinho, o Opinioso, comenta: Lula Noel

  1. Tira do salário dos Deputados e Senadores. Ahaha.. eu sei que isso jamais aconteceria. Agora que formei vou começar a brincar na Folha Invest e no PokerStars… ae a gente podera discutir economia com tranquilidade.

    ;D

  2. irere

    agora vc entende pq a cpmf é um assunto recorrente…

  3. haha

    Deixa minha mãe ler esse post! Ainda bem que você só vai encontrar ela ano q vem… Torce para ela já ter esquecido! XD

    =*

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