Bonde da Marreta

Tem coisas que eu simplesmente não entendo, e algumas eu até imagino o motivo. Por exemplo, eu acho que eu sou burro demais para compreender filmes do Woody Allen ou contos do Dalton Trevisan. Já outras coisas eu acho que simplesmente não foram feitas para serem compreendidas. Por exemplo, funk.

Vou começar com um exemplo que fez muito sucesso no começo da década. Por algum motivo o nome da banda era “De Falla”, com dois éles mesmo. E a música chamava “Popozuda Rock’n’roll”. Tava na cara que isso não ia prestar. O diabo da música tem um parágrafo de letra. É como se fosse, sei lá, uma propaganda ritmada. Mas minha teoria mesmo é de que ela foi feita em um gerador de letras aleatórias. Tipo do mesmo modelo que faz resumo de filme da sessão da tarde, sabe? É sempre uma galerinha animal, aprontando altas confusões, em um acampamento do barulho, essas coisas. A idéia do funk é sempre parecida também.

Essa do De Falla eu vou só declamar o comecinho. “Vai popozuda, vai descendo até o chão. Requebrando na batida, no Miami Pancadão. Eu tenho a força (Cavaleiros de Jedi!), então vem, popozuda, vai, vai, vai…” Vai pra puta que pariu uma letra dessas! O cara começa no padrão, a mina rebolando e descendo até o chão. Eu nunca entendi essa coisa de descendo até o chão. É alguma conotação de preocupação evolutiva, do tipo procurar a parceira mais flexível, com uma coluna bacana? E o que diabos vem a ser o Miami Pancadão. Parece nome de boate de beira de estrada, daquelas que vem escrito Boite, sabe? Fora o trocadilho extremamente cretino de misturar a frase do He-Man com um trocadilho sobre Jedis e a força. Pelo amor de Deus, só nerd vai entender uma piada dessas. Ia ficar um silêncio sepulcral no baile funk…

Outro funk que me irrita é o “Cerol na mão”. Pelo amor de Deus, quem foi que inventou aquele Bonde do Tigrão? O que dá na cabeça de alguém para relacionar uma mistura de cola e vidro para cortar pipa com sexo? Tem que ser muito doente mesmo. Pelo que eu entendo, a idéia toda era a piadinha do “vou aparar sua rabiola”. Francamente! Só faltava colocar como bônus num daqueles CDs “Xuxa só para Baixinhos”. Mas o que prova que a música era coisa de psicopata é o refrão. Depois de cobrer a menina de cerol, em uma cena digna de “Jogos Mortais” ele vem com um “Martela, martela, martela, martela o martelão!” É o Bonde da Marreta! E ainda tem gente que PAGA pra ver isso!

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3 Comentários

Arquivado em Idéias para Stand Up

3 Respostas para “Bonde da Marreta

  1. E assim você vê o QI de Insanidade mundial.

  2. hahaha

    Mas, convenhamos, que pior do que tudo isso são Funks Gospel… “Eu não sou cachorra! Sou Princesa de Jesus…” ¬¬’

    Imagina uma moça de cabelo longos, abaixo da cintura, blusa longa abaixo dos cotovelos, larga, saia abaixo do joelho, rebolando timidamente em fervorosa emoção e cantando: “Sou Princesa de Jesus”…

    Esse Jesus é muito depravado!

  3. Mano, funk é expressão artística, ninguém questiona por que Munch resolveu pintar um cara que nem parece humano, gritando de cima de uma ponte. E a galera acha o máximo aquele rabisco.

    A letra do Funk pode não fazer sentido para você que ouve, mas para as pessoas da comunidade onde foram criadas, os termos são familiares.

    Eu ouço Bonde das Impostoras e Bonde do Rolê (sem precisar mencionar U.D.R.) e é tudo letra pra quem sabe do que tá falando, ou você acha que qualquer um entenderia um “Malacos no Foston, meu iPod é o mais cyber”?

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