Nerd sarcástico gordinho procura

Às vezes (e só às vezes) me canso de ouvir as pessoas me criticando. Sei que soa hipócrita, vindo de alguém que fala de tudo e de todos como se fosse perfeito e onisciente, mas é sério. Certamente algum psicólogo que venha a frequentar este espaço certamente perceberá que foco minha atenção nos defeitos das outras pessoas para fugir dos meus. E levar junto a atenção de outras pessoas. É por isso que me irrito tanto quando alguém resolve se lembrar que o Marcelinho aqui também tem suas falhas.

Por isso tomei uma decisão. O ideal seria eu me decidir por me tornar mais doce, mais gentil com as pessoas, levando em conta ao criticá-las de que eu sou tão humano quanto elas. Só que eu não sou ideal, por isso optei pela alternativa mais fácil, que é justificar meus problemas de forma convincente e verossímil. Assim, fica como aula de desculpas bacanas para quem tiver problemas parecidos com os meus.

Primeiro, meu sobrepreso. Meu índice de massa corporal anda, há muito tempo, na faixa do “acima do peso”, que fica entre o normal e o obeso. Depois de ouvir muitas piadinhas óbvias e fazer outras tantas para me justificar, descobri uma que logo acaba a conversa: questionar os padrões ocidentais americanizados de beleza. Afinal de contas, o que se define hoje como belo seria considerado feio e doente na Idade Média. O organismo que consegue acumular gordura para os momentos de dificuldade tem maior propensão a ser um bom reprodutor, já ensinavam os nossos antepassados neanderthais. O que se busca em homens e mulheres hoje são modinhas criadas por uma mídia, que incentiva o interesse físico pela anorexia. Mais do que meu suporte vital, meu corpo acima do peso se tornou uma mensagem política. Como fazer exercícios e acabar com isso?

Outro problema é minha despreocupação com minha aparência facial. Tenho alguns problemas com acne (e quem não os tem?), uma barba sempre mal feita porque cresce mais devagar do que a preocupação com o meio ambiente no mundo, entre outros problemas. Até poderia usar a desculpa da questão do padrão de beleza também, mas um argumento muito mais original já existe: preocupar-se com a beleza implica, necessariamente, em deixar de lado o desenvolvimento mental. Isso é fato. Os dias têm 24 horas para todos, de modo que preocupações como limpezas de pele, cortes de cabelo, longos tratamentos com produtos químicos exóticos retirariam meu precioso tempo de atividades nobres como ler um Dostoiéviski, assistir a um enlatado americano ou escrever aqui.

Isso está relacionado também à crença em que um grande grupos de gordinhos de óculos se apega: a de que os nerds dominarão o mundo. Assim, devo me preparar e focar meu tempo útil em tornar-me cada vez mais nerd, e não me distanciar da classe com coisas como peeling e cortes de cabelo à Justin Timberlake. Por fim, ainda existe um outro argumento político utilizável, relacionado à utilização de bichinhos em testes de cosméticos, mas seria hipocrisia essa preocupação vinda de um carnívoro contumaz.

Outro ponto freqüentemente lembrado em mim pelos meus detratores é meu típico humor sarcástico, cáustico e crítico. O que digo sempre? Que a vida é uma piada, mas que só tem graça se a gente se dispõe a rir dela. Que a grande beleza da condição humana é a capacidade de rir tanto da própria como da desgraça alheia. E que se os chimpanzés soubessem rir da cara dos colegas que eventualmente escorregavam na banana (sem trocadilho) seriam eles os dominantes, e não nós, macacos pelados.

A última crítica está relacionada a meu vestuário. Tenho um amigo próximo que sempre, sempre faz muxoxos quando saímos juntos. Ele reclama de tudo: das minhas camisetas relacionadas a quadrinhos, das minhas calças jeans cheias de bolsos, das minhas combinações de camisas de manga curta, gravata e calça social (o que funciona maravilhosamente bem com o Dilbert). É como se eu fosse íntimo de Glória Kalil. O argumento nesse caso é mandar a pessoa se danar. Não tem outro. Afinal de contas, quando você é um nerd acima do peso que zomba da cara de todo mundo, o que você veste acaba significando muito pouco.

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2 Comentários

Arquivado em Desabafo, Me Engana que eu Gosto

2 Respostas para “Nerd sarcástico gordinho procura

  1. Eu gosto das suas camisetas…. XD

    Talvez pq eu seja nerd tb…. ¬¬´

    Seus comentários e críticas são divertidas, menos quando eu já estou de mau humor, ou propensa a ficar…. Mas na minha opinião, além do humor cítrico e sarcástico, as vezes é importante fazer comentários agradáveis sobre as pessoas também…. De preferência sinceros… ^^

  2. Ah…. eu nem me importo com o que as pessoas falam. Na verdade eu me importo, mas por fingir não me importar, elas deixam de tentar me afetar.

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