Suecas, Aquiles e a Guerra de Tróia

Sou relapso, eu sei. Não atualizei isso aqui decentemente essa semana, eu sei. Estou envergonhado. Se eu fizesse sexo com a mesma regularidade que escrevo aqui… Pensando bem, deixa pra lá. De qualquer forma, esse é um exemplo de textos que eventualmente colocarei aqui, e que são idéias de material para stand up comedy. Tenho vontade de um dia testá-los, mas isso é para o futuro.

Volto à ativa (sem trocadilho) para comentar algo que andei pensando recentemente. Sem querer enfurecer os historiadores de plantão, mas concluí que mitologia é um negócio que não mostrou a que veio. Pensemos bem: quando contamos algo para alguém, nós normalmente queremos que a pessoa acredite, por isso buscamos o máximo de verossimilhança possível. Exemplo: eu saio para a balada com meus amigos playboys (quem me conhece já duvidava daí, mas sigamos), e ao final faço a minha contabilidade: eu vou falar que peguei a Dani Bananinha e a Patrícia Poeta juntas ou que dei uns amassos com a Preta Gil? É claro que a segunda opção é mais provável, apesar de não tão agradável. Mas mitologia vai além. É como se eu falasse que tinha acabado de voltar do motel, onde passara a noite inteira com o time sueco de luta na lama. Alguém cai nessa?

Tenho uma birra particular com a história da Guerra de Tróia. Primeiro pelo personagem principal, Aquiles. Alguém aqui assistiu o filme Tróia? Péssima notícia para as moçoilas apaixonadas de plantão: provavelmente o herói não era estilo Brad Pitt. No Mediterrâneo, onde fica a Grécia, os homens não são altos, loiros e têm olhos claros. Na verdade, Aquiles provavelmente era testudo, atarracado e tinha nariz de batata. Tipo o Ahmadinejad, presidente do Irã. Estou até vendo as carinhas de decepção.

De resto, diz a história mística de nosso herói que ele foi tornado invencível quando sua mãe o mergulhou em um rio. Só que ela o segurou pelo calcanhar, deixando essa parte fora da água e criando seu único ponto fraco. Um detalhe que normalmente passa desapercebido: que mãe horrível é essa que dá banho no filho em um rio segurando pelo pé? Quem já tomou um caldo sabe a sensação horrível que se sente, mas não deve chegar nem perto dessa tortura de ser afogado de cabeça para baixo pela própria mãe. Ela não queria ajudá-lo, queria tirar informação! ” Onde seu pai foi ontem, hein? Foi pro bordel, não foi? Fala”!”. E tome garoto sufocando.

Não me espanta que com uma infância dessas o rapaz tenha optado por ir para a guerra matar pessoas. Só que, sabe como é, ele tinha um calcanhar frágil agora. E morreu com uma flechada justamente no lugar. A pergunta que não quer calar: quem mira no calcanhar de alguém? “Acerto o coração? Não, muito fácil. Pescoço? Hum… não, muito sangue. Olho? Me dá agonia. Já sei! Calcanhar!”. O cara devia ser o pior arqueiro do mundo, deve ter acertado sem querer. Deu sorte o perdedor, e ainda passou para a história como “o cara”.

Mas a história inteira da guerra é estranha. Porque ela começa com uma chifrada: a mulher do rei foge com um princípe de Tróia (e novamente o filme: quem é que vai fugir com um cara que é a cara do Legolas?), o monarca fica irritadíssimo e… convoca o exército de toda a Grécia para o combate. Já vi muita gente ficar bem chateada em se tornar corno, mas aí ameaça a adúltera e o amante, algo do gênero. Não junta meio milhão de pessoas para matar a ex e o amante do ex. Coisas como essa me fazem duvidar do título de “berço da razão” que dão para a Grécia. Além do mais, com tantos filósofos, escritores, entre outros, não tinha um único advogado que pudesse fechar um acordo? “Tudo bem, você fica com a guarda das crianças e Tebas, mas nunca mais volte!”.

E aí, depois de dez anos perdendo homens e provavelmente sendo chifrados dos mais diferentes jeitos pelas mulheres que deixaram em casa, os soldados gregos estão quase desistindo. Eis que surge Ulisses, o único que não era corno do exército, e sugere que eles finjam ir embora, e invadam dentro de um cavalo de pau gigante. Se sou eu o rei, matava o infeliz. Primeiro porque é uma idéia à primeira vista completamente imbecil. E a segunda é que ele podia ter pensado nisso alguns anos antes, não? Mas eles fazem, e acontece que os troianos eram ainda mais idiotas. Resultado: colocam para dentro o presentinho. Se sou eu que recebo no meio de uma guerra um presente do inimigo, que eu penso? “Tem merda aí dentro. Ou é uma bomba. Ou é uma bomba de merda!”. Por via das dúvidas eu destruía o negócio, colocava fogo, sei lá. Mas os troianos colocaram o negócio para dentro, e o resto a gente já sabe. Infelizmente.

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2 Comentários

Arquivado em Idéias para Stand Up

2 Respostas para “Suecas, Aquiles e a Guerra de Tróia

  1. Hum… deu uma alteradazinha desde a versão que me mandou… e eu prefiro a versão antiga, não sei, alguma coisa mudou que parece que ficou corrido e engolindo as piadas…

    Vamos ter que fazer uma festa e colocar você como comediante, pra ver se esses textos saem do papel.

  2. hum….

    E onde estão as suecas? Com aquiles que não é! Pois não é segredo nenhum que ele era homo, e ficava mantendo relações entre família! Quem não se lembra do seu primo protegido?!

    Pois bem… Eu gosto das suas piadinhas, e acho que vc seria um bom roterista de stand up! Ou até mesmo, o próprio comediante! Vou me apropriar da idéia do Luis e colocar vc para fazer comédia para gente…. Sabe, dessensibilização sistemática! huhu

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