As Cousas do Mundo (e seu eterno retorno)

Andei lendo Nietszche, e nada de bom pode vir disso, mas não vem ao caso. Só cito a questão porque lembrei, enquanto lia sobre a teoria do Eterno Retorno, da atualidade de algumas coisas que se repetem no Brasil com mais frequência do que deveriam. E vão continuar se repetindo, pelo andar da carruagem. Abaixo, Gregório de Matos – poeta maior e ídolo pessoal – elucida meu raciocínio com seu texto, acreditem, do século XVII.

As Cousas do Mundo

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

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